Pe. Bosco

Sentido da Missão

A palavra “Missão’ se aplica a várias finalidades. A pessoa, para se referir a uma atividade especifica e até limitada, diz que tem uma missão a fazer. Trata-se de uma tarefa ou algo que alguém chegou a pedir. Para não revelar a demanda, passo a chamá-la de missão.

Na linguagem religiosa, essa palavra não se aplica a qualquer atividade mas a algo muito próprio, nobre e específico. A missão é de Deus. Ele enviou o seu Filho e, por sua vez, o Filho nos chama e também nos envia.

O chamado acontece quando a pessoa humana é adotada por Deus no batismo. Naquele momento se nasce de novo e se passa a fazer parte da grande família do povo de Deus, chamado a colaborar na missão.

Na missão, então contemplados dois movimentos: “Vinde e vede” (João 1,38) e o “Ide”, como o Pai me enviou eu vos envio. (João 20,21). Nestes movimentos, podemos identificar a razão de ser da Igreja.Fora deste horizonte, a Igreja perde a sua identidade.

A missão da Igreja, em todos os tempos, haverá de ser sempre a mesma: anunciar a experiência de Deus e o seu amor pela humanidade. “Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (João 10,10) rumo ao Reino definitivo. Este é o objetivo atual da Igreja Católica. Portanto, a missão consiste no cumprimento desse programa.

O Papa Francisco, para tornar mais viva essa mesma proposta, nos fala da missão através de muitas imagens: Igreja de portas abertas, Igreja em saída, presença nas periferias (geográficas e existenciais), Igreja enlameada, Igreja como hospital de campanha, etc. Com todas essas expressões, o papa quer ressaltar que a Igreja precisa seguir a sua missão de modo itinerante, assim como fez Jesus, quando deixou a sinagoga e passou a caminhar pelos povoados e nas casas. Hoje, a Igreja não pode mais simplesmente convidar as pessoas sem ir ao encontro delas. Os dois modelos missionários que marcaram o nosso Nordeste (Padre Ibiapina e Frei Damião), em situações diferentes, tanto um como o outro, iam percorrendo as cidades e povoados e atendendo as pessoas em suas necessidades. Aqui está posto o objetivo principal da missão.

Nosso papel, hoje, é pensar a missão dentro das exigências do nosso tempo. Devemos aproveitar o Mês Missionário Extraordinário, proposto pelo Papa Francisco para 2019, e trabalharmos a missão em nossas paróquias e foranias.

Um dos instrumentos para podermos organizar a missão hoje na estrutura de nossa igreja é a constituição do COMIPA, o Conselho Missionário Paroquial.Não podemos confundi-lo com o Conselho Paroquial, mas tê-lo com uma clara finalidade: articular todos os grupos e comunidades para assumirem a missão de forma planejada e avaliada em toda a extensão da paróquia. Trata-se de uma composição com os grupos mais expressivos da paroquia como também com pessoas das comunidades, levando em conta cada realidade. Quando a paróquia é composta de muitas comunidades, a representação pode ser feita por setores paroquiais, sem esquecer que a participação de mais pessoas atingirá sempre mais os mais afastados.

Sem esquecer o seguinte: toda pessoa batizada já foi convidada, no seu batismo, para fazer parte desse envolvimento missionário, que consiste em ir ao encontro dos demais, em suas necessidades, sobretudo indo com outras pessoas. O envio feito por Jesus é de dois a dois: nunca sozinhos. Os nossos grupos, tão numerosos, precisam despertar para a missão.

Padre Bosco – Coordenador de Pastoral

COMPARTILHAR