Celebrando a Sagrada Família hoje, contemplamos um dos momentos de grande angústia vivenciados por José, Maria e o menino Jesus. No dia de Natal, refletimos sobre as condições precárias em que o menino Deus foi recebido neste mundo: o Rei dos reis, Senhor dos senhores: que nasce pobre em um estábulo.
Mas eis que o pior ainda estava por vir …

O período mais vulnerável para uma família é aquele do nascimento de um filho: toda a rotina é modificada; viagens são canceladas (a locomoção se torna mais difícil); o marido se prepara psicologicamente para dar uma ajuda maior nas tarefas domésticas. Pois bem, foi precisamente neste período de vulnerabilidade que a Sagrada Família enfrentou a grande aflição de fugir para o Egito, para escapar da loucura de Herodes, que queria matar o recém nascido.

A religião da época ignorou todos os sinais do nascimento do messias, ou seja, os próximos (os seus) não o receberam, enquanto os estrangeiros (os magos) de longe, se apresentaram com seus dons.

Deus nunca abandona os seus. É verdade que ele não os isenta do sofrimento, non entanto, os ajuda. José, guardião da família divina não perde a intimidade com seu Deus por um momento sequer. O homem da prontidão e obediência, auxiliado por Deus em sonho, obedece as orientações do mensageiro de Deus: “Levantou-se, pegou o menino e a mãe, ainda era noite, e partiu para o Egito” (Mt 2,14).

Não demorou muito …

Quem procurava matar está morto, diz o anjo em sonho para José. O poderoso Herodes, não tinha poder sobre a vida e a morte. Tudo passa, os maiores tiranos, não importa quanto tempo vivam, um dia descerão à sepultura: e os planos de Deus continuarão.
Bem-aventurados os que temem ao Senhor e andam nos seus caminhos (Salmo 127).

A aventura do homem com Deus, na minha opinião, pode ser resumida desta maneira: levanta-te e vai! Aventurar-se com Deus é seguir o seu Caminho: levantar-se e permanecer no Seu Caminho (o caminho de Deus), o salmo de hoje. Nossas vidas são feitas de progressos e contratempos: partidas (despedidas) e retornos (começos). Precisamos saber a hora certa de partir e voltar. A jornada em direção a Deus não é feita apenas por avanços. O homem que teme a Deus, porque em Deus confia, está sempre aberto a partidas e retornos. Sempre encontra forças para se levantar novamente e assim permanecer fiel ao plano de Deus.

A propósito disto, o verbo levantar aparece quatro vezes no evangelho de hoje. A repetição de palavras na Bíblia nunca foi deixada de lado pelos primeiros pregadores, ainda mais interessante é notar que o verbo levantar (em grego: Egeiro) é usado pelo anjo para anunciar a ressurreição de Jesus (Mt 28,6).

Este levantar-se para realizar uma tarefa, uma missão em nome de Deus, é muito significativo. O pais e mães precisam aprender com a sagrada família este levantar-se, erguer-se, para enfrentar os muitos desafios de hoje. São inúmeros os casais que necessitam levantar-se/erguer-se, verdadeiramente ressuscitar, para manter viva a presença de Deus em seus corações e, assim, em suas famílias. Famílias inteiras precisam desse ressurgir!

José e Maria obedecem. Não perdem tempo. Hoje falamos muito e agimos pouco, todos querem falar, se exprimir, talvez nos falte disponibilidade para fazer o que Deus nos pede. José e Maria no silêncio põem em prática as orientações do Senhor seu Deus. O casal que acolheu a Palavra encarnada é silencioso. É o mais silencioso de todos os casais. A família da Palavra, fala pouco, quase nada: mas como ninguém, sabe cuidar da presença de Deus.
Que a Sagrada Família de Nazaré, nos ajude a “levantar-nos” para cuidar da presença de Deus em nossos corações e em nossa sociedade, contra os Herodes de hoje, que continuam procurando matar qualquer sinal de esperança e renovação.

Padre Demétrio Morais

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