Dom Aldemiro Sena, bispo diocesano, presidiu missa de encerramento do evento. Foto: Pascom de Bananeiras.

Bananeiras acolheu neste domingo (29), o Encontrão Diocesano das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, que teve como tema: “Batizados e enviados, identidade e desafios das CEBs”. Cantando as canções das CEBs e ouvindo reflexões sobre a caminhada, animadores de várias comunidades vivenciaram um momento de renovação e alegria.

A partilha de experiências durante foi um dos traços marcantes. Os relatos da caminhada das comunidades, seus desafios, sofrimentos, lutas e conquistas, uma vez socializados, tornam patente a unidade até mesmo nos problemas e aponta para questões teóricas e práticas.

“Sem sombra de dúvida, outro aspecto de relevo no encontro – além da partilha e das reflexões – é o fato de cada encontro constituir-se numa fonte de animação para as comunidades”, comentou o Pe. Silva – Paróquia da Serra da Raiz.

“Cria-se a familiaridade, a unidade, o sentimento de pertença recíproca, o que gera ânimo, força na autoconsciência e auto realização, esperança e entusiasmo. Numa expressão, trata-se de uma estrutura de apoio, que reforça a eclesialidade das CEBs”, refletiu o Pe. Josinaldo – Paróquia de Alagoa Grande.

Breve Histórico

As CEBs surgiram nas décadas de 60 e 70 como uma grande novidade. Elas representam uma “nova forma de ser Igreja”. Organizam-se de maneira democrática, reúnem o povo para refletir sobre a Bíblia, celebrar a vida e lutar pela transformação da sociedade. Desde o início as CEBs estão presentes junto aos movimentos sociais e têm dado uma contribuição significativa ao processo de democratização e de construção da cidadania no Brasil.

Nos anos 90, num quadro político e eclesial desfavorável, as CEBs passaram por mudanças significativas, a ponto de alguns intelectuais anunciarem o seu fim. Um novo quadro contextual deslocou o foco de atenção da mídia e da intelectualidade dando a impressão de uma crise profunda na vida das CEBs. De fato, não existem dados objetivos a nível nacional para essa afirmação. A continuidade e vitalidade dos Encontros Diocesanos, Regionais e Intereclesiais parecem indicar, pelo contrário, que as CEBs continuam atuantes.

Um desafio atual é reunir e alimentar a fé das pequenas comunidades, os conselhos populares, os círculos culturais, bíblicos; reforçar a sociedade civil, criar laços contra violência que atinge as mulheres, quilombolas, povos indígenas. Tem uma força das minorias abraâmicas. Os movimentos sociais da cidade e do campo já foram mais fortes. Houve avanços no campo da Reforma Agrária. Os sucessos não vêm de cima para baixo, mas de baixo para cima.

As CEBs: estão mudando o jeito de ser Igreja? Fé e Vida devem estar ligadas. As CEBs são Comunidade: Hoje parece o individualismo está por cima da vida em comunidade. Dizemos Pai Nosso, e não meu Pai. A importância do encontro dos irmãos (vida em comunidade) em vez da celebração religiosa na televisão. AS CEBs são Eclesiais: o centro é Jesus Cristo, a leitura da palavra de Deus, a prática dos círculos bíblicos. As CEBs são de Base: temos que voltar para as bases, os pobres, excluídos, marginalizados – jovens, dependentes químicos, idosos; em função do / em serviço do Reino de Deus. Cântico: Eu Acredito que o mundo será melhor, quando o menor que padece acreditar no menor.

Evangelização e religiosidade popular. Falta a evangelização – o povo prioriza apenas o batismo e as festas – novenas, procissões, etc., não a catequese / educação / formação religiosa, a partir do Evangelho.

O Documento de Pueblo inicia com um pedido de perdão – pela falta da dignidade humana; a contradição entre o que pregamos e as ações: a falta de amadurecimento da fé, respeito à dignidade humana.

Devemos amar as pessoas e usar as coisas; em vez disso: Usamos as pessoas e amamos as coisas.

PASCOM – Pastoral da Comunicação