O papa Francisco instituiu o dia mundial do pobre, já celebrado em 2017 e em 18 de novembro de 2018. Por quais motivos o papa criou essa data?  Para que a Igreja leve em conta a realidade dos pobres; para que os povos, entre ele, os cristãos, não esqueçam de muitas pessoas pobres de bens materiais.

Nós nos alimentamos de três a quatro vezes por dia, mas o pão não está presente na mesa de todas as famílias. Crianças morrem de fome no mundo, por causa da desnutrição, como consequência da pobreza de sua família.

A situação de pobreza é interpretada de várias formas:  alguns dizem pobre é preguiçoso eu tenho, porque trabalhei. Já outros reconhecem as verdadeiras causas da pobreza; como a pobreza é fruto da injustiça; é consequência da desigualdade social etc.

A maioria da população brasileira sobrevive com um salário mínimo e até bem menor, e, no entanto, essas pessoas trabalham o dia inteiro cumprindo uma carga horária de oito horas. Trabalham e nunca serão ricas. Associar a riqueza com o trabalho não é correto.

Em 1979, na cidade de Puebla, numa importante conferência da Igreja católica se dizia que tínhamos ricos cada vez mais ricos, à custa de pobres cada vez mais pobres. Passados esses anos, a realidade não mudou. O mundo está dividido entre os mais ricos e os mais pobres.

A pobreza tem como consequência a fome e todas as outras mazelas para a humanidade. A fome existe não por falta de alimento, mas por causa do egoísmo que impede a prática da partilha dos alimentos. Como imaginar a sobra de comida nos grandes e luxuosos banquetes e, ao lado da festa, pessoas passando fome? Isso acontece com frequência e em todos os lugares.

Para lembrar essa realidade, o papa cria o dia do pobre e o celebra no vaticano: além da missa, um almoço para pessoas pobres, e dentre elas, os moradores de rua. É um gesto! Gestos falam mais que palavras. Antes do dia celebrado, o papa publica sempre uma carta que reflete a realidade da pobreza para formar a mentalidade dos cristãos.

Para a fé cristã Deus é o aliado do pobre: Ele, Deus, escuta o seu clamor; o órfão, a viúva e o estrangeiro, na antiga aliança, eram os preferidos de Deus, por serem os pobres de Javé. Fazer justiça aos órfãos e viúvas é um tema recorrente nas sagradas escrituras. A injustiça ou ofensa a essas categorias é ofensa direta ao Criador. Sendo Deus o aliado dos pobres, se trata de uma opção do próprio Deus, claro, amando a todas as pessoas criadas à sua Imago Dei, porém, como a mãe, que dará sempre atenção ao filho mais frágil, Deus, sem dúvida alguma, cuidará dos mais fracos. Essa atenção de Deus não se dá, por serem os pobres melhores que os outros, mas pela sua condição. Assim, a Opção Preferencial pelos Pobres não é marxista ou comunista, mas uma escolha do próprio Deus.

No centro da pratica cristã, por consequência, está o compromisso com os mais pobres, o que tornará as pessoas abastadas mais humanas e mais fraternas: Deus nos convida a uma vida mais solidária, através da partilha, diante da necessidade dos nossos semelhantes. A condição para a partilha não significa sermos pessoas de muitos bens. A partilha começa com o coração e a própria vida, é ter sensibilidade e compaixão diante da necessidade do outro. O que é compaixão? Não é sentir pena e permanecer inerte, mas se envolver na realidade do outro, contribuindo para que o mesmo possa sair da situação em que se encontra, inclusive lutando contra a injustiça, quando ela se faz presente. O papa diz: “A injustiça é a raiz perversa da pobreza”.

  Pe. João Bosco Francisco

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