Por Pe. Demétrio Morais

Vivemos, comprovadamente, em uma sociedade de exageros… e isto, pode ser aplicado para as mais variadas dimensões da nossa existência. Sentimos uma dificuldade grandiosa de educar-nos para a moderação. Desde crianças fomos ensinados por nossos pais e avós, que não devemos desperdiçar alimentos. Este ensinamento vinha sempre seguido da orientação para colocarmos no prato somente o que conseguimos comer. Quem nunca ouviu a repreensão: “menino, não tenha os olhos maior que a cara!”. Mas analisando melhor, veremos que essa orientação acaba por favorecer o exagero. Se o critério a ser assumido em relação aos alimentos for mesmo este, poderemos até evitar que alimentos parem no lixo, mas infelizmente não nos tornaremos mais sóbrios. A ingestão de alimentos acima das calorias previstas para uma dieta saudável é exagero e, a meu ver, também desperdício. A verdade, é que comemos muito, mas nos alimentamos mal.

As estatísticas corroboram nossa reflexão. Os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que a obesidade no Brasil cresceu 60% em 10 anos. De acordo com o levantamento, uma em cada cinco pessoas no País está acima do peso. Em conseqüência desse aumento, verificou-se um crescimento do número de pessoas acometidas por diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas.

Entretanto, vê-se também de outra parte, uma preocupação excessiva com a forma física. Uma verdadeira obsessão, um culto ao corpo perfeito, que tem levado muitos jovens ao uso de anabolizantes e a desenvolverem transtornos alimentares, tais como a anorexia: que consiste no medo constante de engordar, o que faz com que a pessoa deixe de se alimentar para manter o “corpo ideal”; e bulimia: a pessoa ingere alimentos compulsivamente, e logo após, sente arrependimento ou medo de engordar, e busca eliminá-los provocando vômitos, ou consumindo laxantes e diuréticos ou praticando exercícios em excesso.

Quando se trata da ingestão de bebidas alcoólicas, percebe-se também uma incapacidade de se viver a sobriedade. Nas festas, vemos como as músicas fazem uma verdadeira apologia ao consumo do álcool (“beber cair levantar). Os dados mais recentes fornecidos pelo IBGE mostram que os nossos jovens experimentam bebidas alcoólicas, cada vez mais cedo, o percentual de adolescentes entre 13 e 15, que já experimentaram bebidas alcoólicas subiu de 50,3%, em 2012, para 55,5% em 2015; já a taxa dos que usaram drogas ilícitas aumentou de 7,3% para 9% no mesmo período.

Portanto, diante de indicativos tão alarmantes não podemos ignorar esta triste realidade. Permitamos ecoar em nossas mentes e em nossos corações, a exortação do apóstolo Pedro: “Sejam sóbrios” (1Pedro 5,8). Neste sentido, a mídia (local, regional ou nacional) exerce um papel fundamental para a construção de uma Cultura da Sobriedade, através da informação e também de reflexões que suscitem ações concretas que eduquem para moderação. A realização de semanas de reflexão e conscientização nas escolas, com a colaboração das instituições e igrejas são indispensáveis, e podem gerar a longo, e curto prazo, desdobramentos práticos, melhorando, sobretudo, a qualidade de vida de nossos adolescente e jovens.

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