Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Caros irmãos e irmãs, Deus na sua Bondade Infinita não desiste de nós, apesar de ser quem somos, coisa que somente Ele o sabe de modo perfeito. Nós, na nossa arrogância pretendemos saber. Não é nunca demasiado dizer que este nosso esforço, sem Deus, é em vão…

Nesta tentativa tresloucada, vamos de erro em erro, e aumenta-se o erro quando achamos que é esta a realidade a que devemos nos apegar: não podemos saber quem somos. Esta é uma atitude de auto-engano para justificar nossa covardia em nos aproximar de Deus. Sim, pois somente nEle e no Senhor Jesus Cristo é que nós podemos nos encontrar e nos descobrir de modo perfeito. É claro que este itinerário comporta sempre caminhos errados, atalhos fáceis que nos levam para longe da verdade sobre nós e sobre os outros. Tal dificuldade que faz parte do caminho, porém, não é o caminho! Sua existência não se deve ao caminho, se deve à nossa pressa e à tentação à qual estamos sujeitos de querer, sem Deus e suas indicações, chegar à meta que Ele nos propõe, a nossa salvação.

A Palavra de Deus, hoje a nós dirigida, nos coloca como o surdo com dificuldades de falar, como ouvimos no Evangelho, mas também na mesma situação descrita pelo Profeta Isaías que narra o estado de ânimo de muitos: deprimidos e desanimados.

Cada um de nós poderia, como muitos o fazem nas suas orações, elencar motivos para isso. E, concordo, não nos faltam: na nossa vida pessoal, política e econômica. No entanto, o que hoje nos diz Deus, é aquilo que o Profeta nos comunica da sua parte: “’Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar’.”

No Evangelho, contemplamos o Senhor a curar o surdo e fazer sua língua soltar-se. E, apesar do Senhor lhes proibir de falarem, saem comentando o fato e a reconhecer o que Ele realiza: “’Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar’.”

Sim, caros irmãos e irmãs, o Senhor faz bem todas as coisas! Ele é a realização do que a Profecia anuncia! Ele é Aquele único capaz de fazer com que nós tenhamos nossos ouvidos abertos e nossa língua solta, por ser a Verdade. A finalidade, porém, não é para que nos entreguemos à vã curiosidade que nos conduz ao que nos convém, nem para que nos entreguemos a falar aquilo que não nos pertence, nos entregando à maledicência, mas antes, para que reconheçamos, através do louvor e da ação de graças o que o Bom Deus por nós e por todos faz.

O reconhecimento e a gratidão são traços distintivos daqueles que são tocados pelo Senhor. Meus caros, todos o fomos no dia do nosso Batismo. Ele nos alcançou com a sua Graça nos fazendo n’Ele, filhos de Deus Pai e seus irmãos. Além do reconhecimento e da gratidão, pelo louvor e a ação e graças, de nós espera o Senhor que isto se alargue e se concretize nas nossas relações.

São Tiago, continua hoje, a nos questionar sobre nossa conduta cristã. Exorta-nos hoje a não fazermos discriminação entre ricos e pobres, nem muito menos a nos entregar à diabólica incitação de uns contra os outros.

Ricos e pobres, se amam o Senhor, serão por Deus recompensados com a herança do Reino. No entanto, São Tiago no recorda que aos pobres Deus enriqueceu com a fé. Tais pobres, porém, também são todos aqueles que O amam, não simplesmente os que são desprovidos de materiais riquezas. O amor a Deus, como resposta ao seu amoroso encontrar-nos, leva-nos a não julgar e a não preferir um em detrimento do outro, baseando-nos nas riquezas ou nas aparências.

Como disse no início, somente Deus sabe quem somos. E, se nós amamos a Deus, tocados por Ele e a Ele retribuindo, conhecer-nos-emos e iremos adquirindo a capacidade de realizar o que São Tiago nos exorta e recomenda: reconhecer nos pobres ou nos ricos e bem vestidos, a Sua Presença e a bem tratá-Lo e não simplesmente enxergar alguém que nos pode dar trabalho ou vantagens materiais…

E se não for para ouvir e falar aquilo que a Deus agrada, ao invés de pedirmos que também o Senhor se dirija a nós com o seu éphata, “abre-te”, que Ele, pelo contrário, faça conosco o que o Salmista nos ensina a pedir: “Ponde, Senhor, uma guarda em minha boca, uma sentinela à porta de meus lábios. Não deixeis meu coração inclinar-se ao mal, para impiamente cometer alguma ação criminosa. Não permitais que eu tome parte nos festins dos homens que praticam o mal” ( Sl 140, 3-4).

E, ainda, ouçamos Santo Ambrósio que nos diz: “É conveniente ficarmos sempre calados?” “Não” (De officiis, 1. I. c.3). Mas: “Ou cala, ou dize coisas que sejam melhores que o silêncio”. E, bendizer a Deus e a sua ação em nossa vida é melhor que o silêncio que sobre isso nos quer impor o mundo!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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