Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Alegrai-vos no Senhor, de novo eu vos digo, alegrai-vos!

Irmãos e irmãs, esta é a antífona de entrada da Missa de hoje. Este Domingo é por isso chamado de Domingo Laetare ou Domingo da Alegria. Alegria que escrevemos com maiúscula, pois não é a alegria minúscula que nos pode dar as coisas deste mundo, mas aquela que vem de Deus somente e que tem a sua origem nEle e que nos conduz a Ele nos guiando neste mundo.

Assim, caros irmãos e irmãs, descobrimos que é somente nEle é que podemos nos alegrar. Uma prova disto que estou a dizer?

Recordemos o que Deus pediu a Abraão. Pediu Isaac, querendo Abraão; por isso a Isaac poupou e o devolveu são e salvo, pois comprovou a fé de Abraão, nosso pai na fé. Mas o incrível e verdadeiro deu-se: Ele fez o movimento contrário, sem que nós pedíssemos, pois sequer isto seria possível imaginar. Ao filho da velhice de Abraão poupado corresponde o Filho Eterno que não o é. Se lá, Deus provava o amor e a fé de Abraão, aqui, Deus, sem necessidade alguma, prova o seu Amor por nós dando-nos seu Filho, sem que pedíssemos e o merecêssemos!

Tal revelação a recebe Nicodemos e a recebemos nós. Nele está a fonte da nossa Alegria e sua consumação. Tanto mais se reconhecemos quem somos: pecadores e necessitados do seu Amor. Tal reconhecimento é a condição sem a qual não é possível receber, não o que Ele nos quer dar, mas Quem Ele nos quer dar: Ele mesmo na sua intimidade revelado pelo Filho. Todavia, como no caso de Abraão, houve uma prova; aqui Deus nos propõe uma mais difícil: reconhecer nAquele pregado na Cruz, Seu Filho Eterno que se fez Homem e que lá está por causa dos nossos pecados…

Que prova! Como não acolher, pois compreender se nos escapa?! Como não mergulhar nas profundezas desse Amor imerecido que Deus derrama sobre nós?!

É ao que São Paulo nos chama hoje: entregarmo-nos a tal Amor, mesmo sem plenamente compreender, mas com fé. Porém, até isto não é coisa nossa, mas Sua! A fé e a graça, são dons que nos são concedidos para serem acolhidos. Não é algo que nós produzimos por raciocínios, mas é uma realidade que acolhemos como dom e respondemos de volta com nossa inteligência e com nossa vontade. Com nossa inteligência, compreendendo que jamais compreenderemos os motivos de Deus; com nossa vontade nos comprometendo e querendo corresponder a este Imenso Amor com nossa vida e nossas obras, que saberemos não serem coisas nossas, se boas, mas dEle em nós e nós com Ele numa relação tal, que jamais atribuiremos a nós aquilo que é somente dele: a Glória!

Glória que se manifesta na Cruz. Tal Glória que nos alegra e ilumina nos leva a preferir sempre a luz e o dia, não as trevas e suas obras.

Como não nos alegrar?!… Hoje o motivo nos é dado. O Senhor quer nos salvar a todos e quer de todos a acolhida desta salvação que se manifesta neste agir comum entre Ele e nós. Na vida, pois, somos chamados a não nos fechar em nós mesmos, mas abertos a Ele, nos abrirmos ao demais.

A Salvação de Deus em Cristo e no Espírito já é, portanto, uma realidade que se faz presente na nossa vida, quando assim vivemos; é isto que manifesta de que lado nos colocamos nesta vida; é isto que manifesta aquilo que desejamos para a definitiva vida na eternidade; por isto somos chamados, desde já, nesta amorosa relação, quais peregrinos que somos, a nos preparar, não isoladamente, mas como Igreja, para o encontro definitivo, caracterizada por São João no Ap como Núpcias do Cordeiro.

Já é algo presente, caros irmãos, e ao qual temos acesso sempre que celebramos a Eucaristia. À elevação, após a consagração, os sacerdotes espalhados pelo mundo, apresentando o Senhor declara: “Felizes os convidados para o Banquete Nupcial do Cordeiro! Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo”! E isto é fruto do ato, por nós impensado, do Amor de Deus por nós, pois tal Amor é-nos manifestado na Cruz Bendita!

Reconheçamos o Senhor elevado na Cruz, para gozarmos dEle, elevado na Glória após sua Ressurreição, Glória que tinha junto do Pai, vivendo em correspondência: também de braços abertos e não de punhos fechados; fazendo as obras da Luz e rejeitando as das trevas, caminhando como em pleno dia; sem medo e em liberdade, como que de cabeça erguida, não como orgulhosos, mas recordando-nos que somos peregrinos e é para o Alto que caminhamos… Só assim, não multiplicaremos infidelidades contra Deus e não profanaremos o seu Templo; só assim não nos autoexilaremos do Seu Amor e não mais será devastada nossa terra, pois “conosco está o Senhor Deus do Universo”…

Alegremo-nos, portanto, nossa Salvação está próxima!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

PASCOM DIOCESANA

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