Irmãos e irmãs, hoje os textos que ouvimos, por ser Tempo Comum, nos traz um tema da cotidianidade e que indica algo que devemos considerar, não por ser algo que parece contradizer a nossa prática cristã, mas antes, por confirmá-la de modo irrefutável. Deus é Deus! O Único Livre e Soberano! Aquele que pode dispor livremente daquilo que Ele mesmo estabeleceu e que nos revelou.

No Domingo de Pentecostes, ouvimos o Senhor dizer-nos que nos enviaria o Espírito Santo e que Este nos levaria à Verdade Plena; Verdade que não são princípios a serem compreendidos simplesmente, mas que é uma Pessoa, o próprio Senhor que no-lo prometeu e cumpriu. A compreensão da Verdade, pois, não se dá por uma mera experiência intelectual e não fica restrito à esta dimensão, mas dá-se por um relacionamento estreito e íntimo.

Cristo, o Verbo Encarnado, nos disse tudo o que o Pai tinha a dizer-nos e nós, pela ação do Espírito Santo em nossa mente e coração, vai compreendendo na medida em que convive com Ele. Isto se deu e se dá no dia a dia da nossa vida até o fim. Há muitos que só compreendem mesmo no entardecer da vida, quando as paixões todas tendem a se aquietar e permite que se voltem para as questões que realmente importam.

Hoje os textos nos trazem um aspecto que a maturidade costuma produzir: o voltar-se para o passado para se compreender o presente. No caso, não o passado individual, mas do povo judeu. A I leitura nos recorda a libertação do Egito, da casa da servidão e o mandamento de guardar o Sábado. Mandamento que deveria ser aplicado até mesmo aos animais. Tal realidade era para que, o cumprimento do Mandamento, fosse a liberdade de todo condicionamento afirmada e jamais esquecida. Liberdade da servidão; servidão do Egito, mas que se transfigura em liberdade de todo condicionamento, inclusive da própria concepção de liberdade que, afastada da sua fonte que é Deus, pode ser corrompida, tornando-se, ela mesma, fonte de novas escravidões.

Para compreender isto basta considerar os que bradam ao longo da História por liberdade, concebida esta, não como um dom de Deus, mas como humana conquista, o que foi e é capaz de produzir. Tal liberdade, na verdade é o retorno à servidão do Egito que subjuga a todos e sobretudo aos mais frágeis; não é pois de estranhar que o Mandamento divino procurava proteger até mesmo os animais e os escravos.

No Evangelho, podemos contemplar como o Mandamento foi interpretado, somente intelectual e ritualisticamente, degenerando-se em mero preceito cego, perdendo assim a sua real finalidade.

Nosso Senhor sabe comportar-se e fazer a memória dos fatos que resgatavam o sentido último do mandamento de guardar o Sábado. Recorda-lhes o caso de Davi que comeu os pães reservados ao sacerdotes e em dia de Sábado, sem pecar; depois lhes faz a pergunta crucial: “’É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?’”

Aqui estava o verdadeiro sentido do Mandamento de guardar o Sábado: cura o homem da mão seca, o que gera a  ira e a conspiração com os partidários de Herodes para matá-Lo. Mas que sentido é esse? Ora, os Mandamentos de Deus, quaisquer que sejam, servem à vida do Homem, não o contrário. Em razão disso, Deus no-los dá!

 

Mas, o colocar-se à serviço de Deus, na obediência aos seus Mandamentos trazem consigo a ira do mundo que tenta sempre virá-los do avesso, querendo fazer deles impedimento à humana liberdade, sendo que são, ao invés garantia da mesma!

Mas não temamos, irmãos, São Paulo nos recorda: “Trazemos um grande tesouro em vasos de barro!” Ainda que, ao trazermos em nós os sofrimentos de Cristo Jesus, damos a Ele a oportunidade de fazer com que a sua vida e a sua força também em nós se manifeste!

É o sentido de também não mais guardarmos o Sábado, mas o Domingo, pois é este o Dia do Senhor, Dia em que Ele renovou todas as coisas dando a elas, com sua Ressurreição, o verdadeiro sentido que possuem e que, às vezes fica escondido como Ele no sepulcro. Ao abrirmo-nos à Sua ação, porém, nossa liberdade fica libertada; libertada de nosso modo limitado de entendê-la e de vivê-la. Esta é a razão de acolhermos o convite do salmista e a Deus cantarmos, pois Ele pode nos dizer: “Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.”

Sejamos livres na obediência aos Mandamentos para não retornarmos à servidão do Egito!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

COMPARTILHAR