Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Irmãos e irmãs, Deus, nos seus misteriosos desígnios sempre tende a nos confundir. Ele não escolhe aqueles que nós consideraríamos os mais adequados “porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor”(Is 55, 8).

Diante disto que nos diz o Profeta, coloquemo-nos em atitude de humildade e obediência quando o Senhor nos chama.

A Palavra de Deus, neste Domingo, nos quer fazer despir as nossas desculpas e seguranças, diante do seu insistente chamado em segui-lo e obedecê-Lo e anunciá-Lo.

O exercício da profecia de Ezequiel não foi fácil, pois foi no segundo período do exílio de Israel na Babilônia. A tentação da acomodação à nova situação e, ao mesmo tempo, da ilusão em que tudo acabaria logo, rondava o povo levando-os ao desânimo e ao não reconhecimento das suas infidelidades para com Deus. Deus, no entanto, faz com que o Profeta se coloque de pé. Esta atitude de prontidão, faz com que ele não se negue a Deus e cumpra sua missão. Deus diz-lhe até para não esperar deles nada, pois bando de rebeldes, parecem ter ouvidos e corações fechados. Mas Deus, pela profecia, continua a oferecer seu auxílio. Manda-lhes o Profeta, de modo que não poderão desculpar-se em não ter tido de Deus a orientação necessária, isto é, o rumo que deveriam seguir.

O texto evangélico de hoje também nos aponta a mesma situação, desta vez ocorrendo com o próprio Senhor ensinando na Sinagoga de Nazaré, sua cidade. Os que cresceram com Ele, não fizeram caso dos seus ensinamentos. Sabiam quem Ele era, conheciam seus pais e parentes. Tinham dificuldade em acolher seus ensinamentos, pois se encontravam em situação semelhante aos judeus no exílio; somente que, o domínio estrangeiro estava em sua terra, e não eles em outra. Tal situação tinha como consequência a tentação de acomodação maior e, ao mesmo tempo, falta de esperança, em alguns gerando sentimento de revolta.

Diante disto, não queriam crer que Deus agisse e falasse naquele seu conhecido.

Deus, caros irmãos, sempre se interessou e interessa-se por nós. Quando paramos e nos lançamos no seu amoroso cuidado, como criança que busca refúgio junto ao colo mãe quando se machuca, depois de suas travessuras, como o Salmista, espantado diante da obra da Criação, também nós, reverentes exclamamos: “Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?”
Sl 8, 4-5). É a expressão reconhecida da humana fragilidade e, mesmo, dignidade; do cuidado divino com o qual Deus nos brinda.

Isto tudo porém, não nos deve levar como que a exigir tal cuidado de Deus. É graça e não direito adquirido a ser cobrado d’Ele. Todavia, mesmo em meio à nossa rebeldia e infidelidades, Ele não nos abandona e, continuamente, no chão da nossa vida, faz erguer-se profetas para que não possamos nos desculpar.

São Paulo, ouvimos, clamou por três vezes para que o Senhor o livrasse do seu “espinho na carne”, expressão que indica seus humanos limites, ao que Deus responde: “Basta-te a minha graça”!

Que resposta, que expressão, caros irmãos! O espanto, a maravilha, a humildade e reconhecimento de nós e Dele isso não nos deveria levar… Deus, parece contar mesmo com nossas humanas misérias para realizar seu Plano de Salvação. O objetivo, São Paulo reconheceu em outra ocasião, escrevendo aos mesmos coríntios: “”O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são.” E o objetivo: “Assim, nenhuma criatura se vangloriará diante de Deus.” (I Cor 1, 27-29).

Sem vanglória, portanto, diante de Deus, de nós e dos outros. Mas saibamos, irmãos, não temos desculpas diante de Deus que sempre se dirige a nós e nos chama a segui-Lo e anunciá-Lo, mesmo com nossos humanos limites. Quanto menos nós, mais será Ele a agir em nós e, mesmo nas nossas fraquezas, mesmo através delas, realizar seu Plano de Amor, que é a nossa Salvação.

Quando pensamos que se calou, não o fez; somos nós que enchemos nossos ouvidos com os apelos da natureza decaída, com os rumores da pretensão humana e vãs preocupações. Ele continuamente nos fala nas coisas e pessoas de cada dia, em casa, no trabalho, nas nossas relações familiares, profissionais e políticas. Importa saber nos esvaziar dos incômodos para ouvi-Lo e reconhecê-Lo quando nos visita e nos fala, mesmo que seja pelo “filho do carpinteiro”…

Se queremos milagres, creiamos; se queremos sua doce presença, não nos entreguemos ao amargor dos acontecimentos que parecem nos submergir nas vagas do “mar da vida”.

Saibamos, enfim, como os escravos, colocar nossos olhos nas mãos do Senhor para de nós ter piedade…

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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