Irmãos e irmãs, no Domingo anterior, lhes dizia que Deus nos surpreende e nos confunde ao escolher aqueles que Ele quer, não os que julgamos adequados segundo os nossos critérios. Assim é, mais uma vez, hoje. Ele nos confunde afim de não nos enchermos de vã soberba, mas nos entregarmos confiantes à Divina Providência que tudo preside para a realização do seu Plano de Salvação.

O Plano Salvífico de Deus, decidido eternamente em Cristo se desenrola na história do mundo, na qual cada um de nós, com sua própria história está inserido. Não há, caros irmãos, nada que a Deus escape e à Sua Soberana Vontade, seja esta volitiva ou permissiva. Diz-nos o Senhor, que até os fios de cabelo nos estão contados (Lc 12, 6). Tudo isto, porém, não se dá sem que a nossa liberdade também esteja em jogo, isto é, sem que nós estejamos implicados de modo a responder sim ou não ao que Ele nos propõe como realização para nossa vida.

Contemplemos a I Leitura e como o pequeno Amós, responde a Amasias, Sacerdote de Betel, no tempo de Jeroboão, Rei de Israel. Ele mesmo nos diz que o Senhor o alcançou quando levava a sua simples vida a cultivar sicômoros e a tanger seu pequeno rebanho. Ele não era profeta nem filho de profeta. Poderíamos dizer: “levava sua vida”, despreocupado dos acontecimentos que lhe sobrepassavam.

Diante das coisas que ocorrem no mundo, no nosso país e nos acontecimentos que nos envolvem e que, por sua importância e complexidade, nos fazem sentir impotentes, assim era com ele e como ele, nós preferimos ‘levar a vida’…

Mas, atenção! É justamente aí, na simplicidade da sua vida, também da nossa vida, que o Senhor lhe chama e nos chama e envia para profetizar e dizer verdades que o Rei, nem seus sacerdotes, nem o povo – lá e cá – estavam e estão, dispostos a ouvir. Mas é sempre Amasias, que servia e cortejava o rei, e os que cortejam os poderosos do mundo e sua mentalidade hoje, fazendo do sacerdócio e da profecia, uma caricatura do que deveria ser, que se incomoda e dá notícia ao Rei, depois querendo diplomaticamente, convencer Amós a partir e a ganhar o pão em outro lugar, como se para isto ele estivesse.

Deus, caros irmãos e irmãs, nos predestinou para colocar nossa esperança em Cristo e nos concedeu o penhor do Espírito Santo, para, livremente como Amós, não nos tornarmos cortesãos a baixo custo dos poderes e mentalidade deste mundo. A Liberdade de Deus, que nos é doado participar na missão, nos coloca acima dos poderes e acontecimentos deste mundo, pois está baseada em Deus e não nos acordos políticos com escusos e inconfessáveis interesses. Por isso Amós pôde responder, pois não era a profecia seu ‘ganha-pão’, mas ordem do Senhor!

Tal liberdade que o Senhor concede aos que Ele chama, chama-nos a todos!, é para que somente a Ele queiramos agradar, não aos poderes deste mundo; não aos governantes de plantão; não à ensandecida busca de popularidade que se tornou um falso imperativo do nosso tempo.

Some-se a isso o que ouvimos do próprio Senhor Jesus Cristo ao chamar e enviar os Doze: nada levar, a não ser o necessário; aceitar a hospitalidade e não se importar se não a houver e se assim for, partir sacudindo a poeira das sandálias; pregar a conversão a todos e, como sinal da autenticidade da missão, os milagres e a expulsão dos espíritos impuros.

Liberdade; entrega a Deus e a seu Plano é o que caracteriza aos que Deus chama e envia. Pregação da conversão a Deus e não à agenda deste mundo, mesmo que mascarada por nobres princípios, mas que, pervertidos desde seu início, visa a destruição do próprio homem e seu afastamento de Deus.

Não nos esqueçamos de que fomos predestinados, isto é: “Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor”, não para que nos conformemos a este mundo contrário a Deus e a seu Plano de Salvação.

Por fim, ouçamos o Apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, num período que se assemelha com os tempos que vivemos, onde, mais do que nunca, necessitamos todos nos deixar encontrar pelo Senhor na nossa vida de cada dia, lembrando da liberdade de que gozou Amós e que o Senhor quer para os seus: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12, 1-2).” O que agrada a Deus, irmãos, a Deus! não aos poderosos deste mundo e nem aos que sacrificam ao ídolo da popularidade…

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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