Estamos em pleno Natal. Natal é vida, é nascimento, é paz, é presença de um recém-nascido, tanto ontem como hoje. O céu se faz presente na terra. Deus não é mais o totalmente distante.

Deus se torna, em seu Filho, um ser humano, para humanizar o mundo, isto é, para tornar as pessoas mais solidárias e fraternas.

O desafio que está posto a todos nós é compreendermos o significado desse acontecimento do Natal. Passados mais de dois mil anos, e não se chegou a uma verdadeira compreensão nem mesmo entre aqueles que celebram todos os anos a mesma festa, que somos nós.

Por ocasião das celebrações natalinas, surgem gestos bonitos de solidariedade, chamados de Natal sem Fome; eles, no entanto, passam com a data do Natal e se repetem no ano que vem. São válidos, é claro, mas não conseguem manter o nosso espírito de solidariedade.

O Natal é a salvação que nos chega pela presença e solidariedade de Deus para conosco; Jesus, em toda a sua vida viveu essa presença solidária para com todos os seres humanos, com particular atenção aos pobres. O seu Natal trouxe Natal para todos nós, isto é, vida completa.

Celebrar Natal todos os dias é promover vida e esperança completa.

O Povo de Deus, que somos todos nós, carregamos nossas alegrias, mas, também, tantas tristezas, decepções, frustrações, medos, desânimos, etc. Tudo está presente em toda a nossa história. Muitas vezes, o povo espera um messias, com soluções fáceis, que assuma a situação que o povo está vivendo.

O nascimento de Jesus trouxe muitas alegrias e esperanças. Nele, se cumpriram as Sagradas Escrituras. No entanto, o seu nascimento trouxe também muito medo. Herodes ficou em pavorosa diante da notícia dos magos. O Natal de Jesus poderia ter sido momento de libertação para todos, mas, os ricos fecharam o coração, e, não só: O condenaram à morte. Como se mata quem passou a vida fazendo o bem? A libertação veio para os pobres.

A Igreja, que verdadeiramente segue Jesus, anunciando a Boa Nova, tem a missão de celebrar o Natal. Natal e Páscoa, são momentos da mesma realidade: promoção da vida.

A promoção da vida começa pela nossa simplicidade, como cristãos, diante das realidades e necessidades; a promoção da vida começa quando podemos acolher, escutar e valorizar a pessoa com seus dramas e desafios; a promoção da vida começa quando diante das diversidades da vida não tratarmos com julgamentos e condenações, mas ajudando as pessoas a crescerem e redescobrirem os valores humanos e cristãos. A Igreja, como instituição, considerada perita em humanidade, precisa relembrar sempre essa sua especificidade,que é do próprio Cristo: Tão cheio de sentimentos humanos que chora diante da morte, que se move de compaixão diante da fome e do sofrimento dos outros.

O verdadeiro cristianismo se molda nos grandes gestos que estão presentes em toda a vida de Jesus: de Belém a Jerusalém. Poderíamos dizer que no centro da vida de Jesus estava o Pai, com quem o Filho se relacionava pela oração, com atitude interior e, sobretudo, com os mais necessitados. Essas duas realidades não se separavam nunca na vida de Jesus.

Como povo que segue ao Senhor, como povo enviado por Ele, precisamos, a cada momento, manter vigilância sobre a nossa missão. Natal é fazermos a vida se fortalecer.

Pe. João Bosco Francisco do Nascimento
Coordenador Diocesano de Pastoral

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