Pe. Bosco

O cuidado consigo e com o outro

Nenhum de nós de sã consciência deseja morrer. Quem de nós não tem medo da doença? Para além dessa realidade nós nos esquecemos de nós mesmos e muitas vezes defendemos situações que levam à morte. Temas complexos como o aborto e o uso de armas são defendidos como se fossem a solução para a vida da nossa população: controle da natalidade e superação da violência.

A vida humana está acima de todas as coisas. Viver é um dom e um direito sagrado. Desde o ventre materno até o seu ocaso, não podemos interferir nesse processo da existência. A vida cristã se baseia na defesa intransigente da vida.

O aborto nunca terá espaço na vida cristã. Abortar significa interromper, matar e tirar a vida. Não se admite discutir a possibilidade de tirar a vida. O que se chama de feto como se não fosse vida é um grande equívoco. A pessoa humana está completa desde os primeiros momentos no seio materno. Na verdade, não temos o direito de tirar a própria vida, menos ainda a vida do outro. O aborto é a morte do indefeso, daquele que não pode correr. Esse dado objetivo é irrenunciável.

Como não se deve matar, devemos desarmar os espíritos e os corações para a construção da paz. A paz se constrói pela paz e nunca por qualquer atitude violenta. Temos que nos desarmar, o contrário daquilo que se pensa. Como me sentiria seguro me sentindo armado? Existem muitos relatos de situações, nas quais a pessoa armada é surpreendida com um poder de força superior ao seu e ela não tem condições de reagir e acaba perdendo aquilo que para ela é a sua segurança, a sua arma.

Costumamos dizer que o campo a cidade não são mais como eram: existe muita violência. Na verdade, a violência está presente nas pessoas com suas atitudes cheias de ódio, violência e vingança. Assim, elas se destroem e destroem também as vidas dos outros. Só com uma cultura de paz gerada nos corações poderemos vencer os malefícios da violência.

Em qualquer cidade pequena do interior, circulando uma notícia que alguma pessoa está armada na rua, todas as casas fecham as suas portas. Imaginemos a hipótese de uma parcela da população com arma nas ruas e praças. O uso ostensivo de armas enfraquece a segurança pública. Nas grandes cidades, como no Rio de Janeiro, por exemplo, existe um estado paralelo exatamente pelo uso excessivo das armas que chegam nas comunidades.

As armas possuem apenas uma finalidade: destruir vidas. Que sirva para a legitima defesa não é um dado objetivo. A arma dentro de casa já vitimou muitas famílias, tanto entre marido e mulher, como entre crianças que acessam a arma que dispara contra os irmãos. A arma dos pais também pode ser levada para a escola, para ser usada contra algum colega, diante de desentendimentos de adolescentes.

Na perspectiva cristã e mais ainda na perspectiva humana, não se recomenda como mecanismo de segurança pessoal o uso das armas, destinadas apenas para o uso dos agentes de segurança do estado, qualificados para isso.

As guerras entre povos e nações sempre existiram. Aquela não vencedora é a que possui menos poder de força, armas menos sofisticadas. Os investimentos bélicos são os mais desnecessários. O que se gasta com a indústria armamentista seria mais que suficiente para educar para a paz. A comida e a educação são as grandes metas para a superação da violência. Portanto, existem os caminhos para a solução das guerras e conflitos entre povos e nações. A questão está na escolha a ser feita. A arma não mata sem a decisão do coração. Se a mão não acionar a arma,a vida não é destruída. Quem pensar por um minuto não usará a arma contra o outro. Quem destrói o outro destrói a si próprio.

É necessário um momento de reflexão.

Padre Bosco – Coordenador de Pastoral da Diocese de Guarabira

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