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O que faz do catolicismo a única religião verdadeira?

No mundo existem mais de dez mil religiões com credos totalmente distintos. Diante disso, muitas vezes os católicos são questionados sobre como sabem que sua religião é a verdadeira ou o que diferencia a Doutrina Católica das demais superstições religiosas presentes no globo terrestre. Alguns, seja por ignorância, seja por pura heresia, afirmam que todas as religiões são igualmente verdadeiras e que, independente da religião, basta você ser uma “boa pessoa” para obter a salvação. Estes condicionam à sua fé a algo meramente cultural, sendo católicos simplesmente “porque papai e mamãe são”. Pelo contrário, embora haja um fator cultural importantíssimo para guiar, em especial as crianças, que ainda são imaturas para pensar racionalmente no assunto, um católico maduro, ao ser questionado sobre o «porquê» segue a Cristo e a sua Igreja deve sair da resposta infantil do “porque mamãe e papai são” e demonstrar o fator filosófico de porque escolheu racionalmente entrar e/ou permanecer no catolicismo, dando, se necessário, sua vida por Cristo e pela Igreja. E são estes motivos que diferem a Doutrina Católica das demais superstições religiosas que serão analisados neste estudo.

 

O problema do relativismo

O relativismo religioso é a doutrina que ensina que todas as religiões são igualmente boas e verdadeiras. Para os seus defensores, os credos religiosos individuais se devem à fatores meramente culturais, sendo definidos simplesmente pelo meio onde se vive. O relativismo exclui o caráter filosófico da religião e, resumindo-a à uma mera tradição humana passada de pai para filho (como a escolha de um time de futebol ou receitas de bolos), a torna totalmente descartável e irracional.

O relativismo é que, no entanto, possui estes atributos. Afinal, a Virgem Maria não pode ser ao mesmo tempo sempre-virgem (como prega o catolicismo) e ter tido sete filhos com José (como prega o protestantismo); Deus não pode ser ao mesmo tempo um só (como pregam as religiões monoteístas) e mil (como pregam as religiões politeístas); nossa alma não pode ser ao mesmo tempo imortal (como prega o catolicismo) ou mortal (como prega o adventismo); não podemos ao mesmo tempo morrer e receber nossa recompensa (como prega o Cristianismo) ou reencarnar em outros corpos (como prega o espiritismo). Uma crença não pode coexistir com a outra. Para que uma seja verdade, a outra necessariamente precisa não ser.

Ninguém nega que existam fatores culturais na escolha de uma religião, no entanto, não é isso que define ninguém em uma religião. Existem ateus que nascem em famílias religiosas e até mesmo católicos que nascem em famílias protestantes (Ex: Scott Hahn; Jimmy Akin; etc). O que define uma pessoa no catolicismo é um fator puramente filosófico: Diferente de todos os demais credos e superstições religiosas, o catolicismo é coerente. Todas as demais religiões apresentam inúmeras contradições em sua revelação religiosa, o que as torna incoerentes e contraditórias. Em resumo: um dos princípios da filosofia, o chamado «princípio da não-contradição» torna todas as demais religiões, com exceção do catolicismo, irracionais e tiram dela qualquer crédito que lhes era possível atribuir.

É claro que ao se afirmar isso, no entanto, surgirão supostas “contradições católicas” por parte de alguns mal-intencionados. No entanto, sempre um católico bem-instruído ou algum membro do Magistério conseguirá as refutar e mostrar o esplendor daquela que é «a coluna e o sustentáculo da verdade» (cf. 1 Tm 3:15).

Os primeiros cristãos utilizavam-se do princípio da não-contradição para converter os pagãos. O cristão Hérmias, o filósofo, escreveu no segundo século da Era Cristã uma obra intitulada «Escárnio dos filósofos pagãos» cujo intuito era simplesmente expor as contradições da religião dos gregos e mostrar-lhes que ali não residia a verdade.

Veja uma das inúmeras contradições do protestantismo: ao mesmo tempo em que eles negam a infalibilidade dos concílios católicos, utilizam o cânon do Novo Testamento que foi proposto “infalivelmente” pelos Concílios católicos de Hipona e Cartago no século IV.

Já os ditos “ortodoxos”, ao mesmo tempo em que pregam que se deve respeitar a Tradição Apostólica, acreditam que não são obrigados a concordar com tudo o que ensina a Igreja de Roma, mesmo com os Padres dos primeiros séculos afirmando claramente: «Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela [a Igreja de Roma], por causa da sua autoridade preeminente, toda a Igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a Tradição que deriva dos apóstolos’.» (Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias, Livro III, 3, 2).

Os espíritas (que não podem nem ser considerados cristãos já que negam a salvação unicamente por Cristo), por sua vez, afirmam que devemos ser caridosos na Terra porque “fora da caridade não há salvação”, mesmo acreditando que todos (independentemente de suas obras) se reencarnarão até se tornarem “espíritos de luz”.

Todas as três doutrinas são inconsistentes diante da sua própria lógica e por isso podem, com razão, ser chamadas falsas e irracionais.

Não se pode, no entanto, obrigar as pessoas a pensar de maneira racional. Se alguém, após receber instrução, se recusa mesmo assim a ouvir a razão, não pode a verdade lhe ser imposta. É por isso que, ao condenar o relativismo religioso, o Vaticano lembrou que isso não tem nada haver com a afirmação da liberdade religiosa: «A afirmação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa não está, portanto, de modo nenhum em contradição com a condenação que a doutrina católica faz do indiferentismo e do relativismo religioso[1].

 

Condenações do Magistério ao Relativismo

O Papa Paulo VI, que presidiu o Concílio Vaticano II, ao afirmar o direito humano à liberdade religiosa, lembrou que «o Concílio, de modo nenhum, funda um tal direito à liberdade religiosa sobre o facto de que todas as religiões e todas as doutrinas, mesmo erróneas, tenham um valor mais ou menos igual; funda-o, invés, sobre a dignidade da pessoa humana, que exige que não se a submeta a constrições exteriores, tendentes a coarctar a consciência na procura da verdadeira religião e na adesão à mesma»[2].

O Concílio Vaticano II também foi claro: «O Sagrado Concílio professa, em primeiro lugar, que o próprio Deus manifestou ao género humano o caminho por que os homens, servindo-O, podem ser salvos e tornar-se felizes em Cristo. Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica»[3]. No entanto, a Santa Sé lembra que «Isto não impede que a Igreja nutra um sincero respeito pelas várias tradições religiosas; pelo contrário, considera que nelas estão presentes “elementos de verdade e bondade”.» [4].

O mesmo o fez São João Paulo II em suas Encíclias Veritatis Splendor (1993) e Evangelium Vitae (1995)Bento XVI, por sua vez, condenou veementemente este tipo de pensamento chamando-o insistentemente de «ditadura do relativismo»[5].

Por fim, vale lembrar que no Catecismo da Igreja Católica (que é o livro escrito pelo Vaticano que diz quais doutrinas os católicos são obrigados a seguir) existe um dogma de fé (isto é, uma verdade inquestionável) que é totalmente avessa ao relativismo: trata-se do dogma do «Extra Ecclesia Nulla Sallus» (isto é, «Fora da Igreja não há salvação»). Leia o que consta no próprio Catecismo da Igreja:

“«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO».

846. Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo: O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Baptismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Baptismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar»[6].

847. Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua Igreja: «Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita»[7].

848. «Muito embora Deus possa, por caminhos só d’Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus»[8], homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar»[9] todos os homens.” (Catecismo da Igreja Católica, itens 846-847)

 

Conclusão

Em síntese: Jesus não pregou verdades relativas. Ele pregou verdades objetivas. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Ele (cf. Jo 14:6). Não existe outro caminho e outra verdade. Todo aquele que nega conscientemente a Cristo e sua Igreja, de acordo com Ele mesmo, «já está condenado» (Jo 3:18). E para aqueles que dizem que Jesus “não fundou religião”, indica-se as seguintes passagens: «E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.» (Mateus 16:18-19); «E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.» (Mateus 18:17).

Devemos respeitar as opiniões das pessoas, mas não é por isso que devemos considerá-las como também verdadeiras.

 

NOTAS

[1] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ,  NOTA DOUTRINAL: sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, nº8.

[2] Paulo VI, Discurso ao Sacro Colégio e aos Prelados Romanos, in: Insegnamenti di Paolo VI, 14 (1976) 1088-1089.

[3] Concílio Vaticano II, Decl. Dignitatis humanae, n. 1

[4] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ,  NOTA DOUTRINAL: sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, nota 28.

[5] Santa Missa «PRO ELIGENDO ROMANO PONTIFICE», Homilia do Cardeal Joseph Ratzinger Decano do Colégio Cardinalício, Segunda-feira 18 de Abril de 2005.

[6] Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 18

[7] Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf. Santo Ofício, Epistula ad Archiepiscopum Bostoniensem (8 de Agosto 1949): DS 3866-3872

[8] Cf. Heb 11, 6.

[9] II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 955.

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