O BATISMO CRISTÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Arquivo – ACI Digital

Neste Ano Missionário Extraordinário de 2019, somos chamados a refletir e agir diante do tema: Batizados e Enviados em missão. Quais os motivos pelos quais ainda não somos uma Igreja Missionaria? Poderemos encontrar muitas respostas, no entanto, a mais visível consiste na pouca compreensão que temos do nosso batismo que, ao longo do tempo, se tornou uma prática meramente cultural, sem consequências práticas na vida de quem se batizou.

É fundamental, que neste Ano Missionário, pensemos sobre as razões e motivações, pelas quais, devemos viver a missão que é tudo o que se espera de quem se batizou.

Em seguida, alguns elementos breves que nos fazem pensar sobre nossa condição de pessoas batizadas.

Deus nos adotou no dia em que recebemos a graça do batismo. Deus nos quis como filhos e filhas. No Filho(Jesus) nós nos tornamos filhos e filhas de Deus. Foi Deus que nos amou primeiro, sem mérito de nossa parte. Somos irmãos exatamente por essa vontade de Deus. Isso acontece porque morremos na morte com Cristo e pela água batismal, ressurgimos com Ele para sermos pessoas novas, entrando em uma nova família, com muitos membros. Somos membros do Povo de Deus; somos os ramos na videira.

Assumimos o compromisso de viver numa comunidade, somos o novo povo de Deus, renunciando ao pecado, à desunião, ao demônio, autor e princípio do pecado. Antes de batizar, pais e padrinhos assumem essa responsabilidade. Ainda temos muita desunião entre nós. Nós nos esqueçamos que já no batismo, ao entrar para fazer parte da comunidade chegamos com o compromisso de evitar a desunião. A vontade de Deus é que seu povo viva a unidade.

Não existe a vida cristã sem a Igreja. A fé é pessoal, mas nunca vivida de forma isolada, mas sempre numa comunidade cristã: é comunidade que crescemos, amadurecemos na fé, celebramos a fé e partilhamos vida,as alegrias, o pão, as vitórias e também as tristezas.

Antes do batismo professamos a Fé dos apóstolos que a Igreja professa: Creio em Deus Pai Criador; em Jesus seu único Filho que se encarnou, padeceu, ressuscitou e subiu aos céus;

No Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos, na vida eterna.

A fé é trinitária: a Trindade nunca está separada. Nossa espiritualidade é trinitária. Nunca o Pai ou o Filho ou o Espírito estão sozinhos. A Igreja batiza em nome da Trindade, por isso, não existe a vida cristã sem a Igreja. A fé é pessoal, mas nunca vivida de forma isolada, mas sempre numa comunidade cristã que é a Igreja que nos gerou para a vida da graça pelo batismo.

Na comunidade crescemos, amadurecemos na fé, celebramos a fé a vida, partilhamos das alegrias, celebramos as vitórias e também as tristezas;

Não pode haver batismo sem a fé que herdamos, mas que devemos assimilar; quem crê e for batizado será salvo; ainda Jesus recomenda que o primeiro passo é ser discípulo, receber o batismo e, em seguida, viver como seguidor do mestre; para receber o batismo se deve ter a compreensão completa da finalidade do batismo.

Recebemos a unção com o óleo do batismo e do Crisma. Como os antigos lutadores ficamos aptos para a batalha contra o inimigo. Já libertos do pecado ao renascer pela água e pelo Espírito Santo, e, portanto, membros do seu povo, somos consagrados com o óleo santo para que na condição de membros do Cristo Sacerdote, profeta e rei continueis no seu povo até a vida eterna. Aqui nasce a vocação e a missão de todos os cristãos.

Ser sacerdote e sacerdotisa é oferecer a vida a serviço, por amor; o sacerdócio não é exclusivo do padre. Toda pessoa batizada participa do sacerdócio de Cristo.

Ser profeta e profetisa é anunciar a boa nova do evangelho fazendo a Igreja em saída e denunciar todos os males e injustiças, sem se omitir por causa do medo.

Ser rei ou rainha, são expressões ligadas ao Reino de Deus; somos cidadãos do Reino, construtores do Reino e destinados para o Reino de Deus.

Recebemos a vela do batismo que depois se apaga. A partir daí somos chamados a ser Sal da Terra e Luz do mundo. A nossa missão não é para dentro da Igreja, mas para fora: “Ide pelo mundo… Como o Pai me enviou eu vos envio. ’’

O sal só tem uma função: salgar. A luz só tem uma função: iluminar. Recebemos de Jesus essas funções no nosso batismo. Por isso que a missão das pessoas batizadas deve acontecer no mundo em que elas vivem em seus ambientes de trabalho. Leigos e leigas não podem ter medo do mundo mas testemunhar a sua fé dentro da realidade. Na verdade, toda pessoa batizada foi enviada para o mundo: “Ide pelo mundo”, assim como fez o próprio Jesus que partiu da sinagoga para o mundo onde pode encontrar as pessoas em suas diferentes situações.

Pe. João Bosco Francisco do Nascimento
Coordenador Diocesano de Pastoral

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