O Papa Francisco tem motivado uma Igreja em saída; uma igreja que saia de dentro das 04 paredes e vá a todos os setores da sociedade atrair para Cristo aqueles que vivem distantes da fé e faça algo em prol dos mais necessitados. Essa Igreja em saída, vemos concretizada em algumas pastorais, dentre elas a Pasthom (Pastoral do Terço dos Homens).

Observou-se anos atrás em todo o Nordeste o surgimento de um grande grupo de oração, o grupo dos Homens que rezam o terço. A cada semana no dia e horário marcado eles se encontram com seu terço nas mãos e muita disposição e alegria para a referida oração. Não somente nas Igrejas, mas também nas casas de doentes e outros necessitados.

A ida a Igreja era culturalmente coisa de mulher, mas a pastoral do Terço dos Homens quebrou esse tabu. Uns foram convidando outros e, de repente, os amigos tinham sido pescados para Cristo e contagiados por esta singela oração.

Na verdade, dá gosto de vê os homens rezando o terço; perderam a vergonha dos microfones e, eles mesmos, conduzem todos os momentos do terço, apresentando cada mistério e intenção, animando todo o momento com cantos variados, proclamando e partilhando a Palavra de Deus.

Na condição de padre pude presenciar muitas mudanças, libertações e bênçãos na vida de tais homens e na vida de suas famílias. Muitos deixaram o álcool, o adultério, os jogos e a mania de ficar em frente a uma TV em vez de ir à Igreja. Através do terço muitos homens se achegaram à Igreja para missas e para sua inserção em alguma pastoral ou movimento. Descobriram seus talentos e se colocaram a serviço da comunidade.

São Tiago disse que “a fé sem obras é morta” (Tiago 2, 17. 26). Os homens do terço não são pessoas que apenas rezam, mas também pessoas que se solidarizam uns com os outros e promovem campanhas de cestas básicas aos carentes e mutirões de construções e reformas de casas para os necessitados. Os homens do terço, portanto, são homens de oração (ora+ação). Rezam e agem: rezam por suas necessidades e pelas situações adversas da sociedade – suplicando e clamando a misericórdia de Deus e sua ação no hoje da história. Dificilmente contam com a presença de seu padre na oração do terço semanal, mas eles estão lá, estão fazendo a sua parte e evangelizando uns aos outros, do seu jeito, mesmo com sua humildade e simplicidade.

Recomendo aos homens do terço que interajam com os demais grupos do terço de sua paróquia e paróquias vizinhas. Participem das missas, dos retiros, aniversários, encontros e qualquer evento da Pasthom. É sempre belo presenciar os homens de vários grupos do terço em perfeita sintonia e harmonia. A união faz com que o grupo do terço dos homens seja realmente a grande família. E, para terminar, uma última recomendação: rezem o terço nos demais dias da semana, seja sozinho, ou melhor, ainda se for com sua família, pois Jesus prometeu: “Onde dois de vocês estivem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, ISSO LHES SERÁ CONCEDIDO POR MEU PAI que está nos Céus” (Mateus 18, 19). Planta regada semanalmente pode morrer, mas diariamente, dificilmente morrerá. Oração diária na mesma intenção não ficará sem respostas.

A todos os homens do terço a minha gratidão e reconhecimento por serem parcela da Igreja que “ora et labora” (reza e trabalha). Sejam perseverantes na fé. Nossa missão é de sermos pescadores de homens (Lucas 5, 10b) e arregaçarmos as mãos para ajudar uns aos outros.

Pe. José Carlos de Gois, CRL

Assistente Eclesiástico da Pasthom (Pastoral do Terço dos Homens)

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