Foto: Internet – Reprodução

Múltiplos focos de incêndio se espalham. Animais correm – os que conseguem – para fugir das chamas; coitado do tamanduá-mirim de patas levantadas, chamuscado e já cego procura um modo de se defender; a mata grita, o chiado da lenha verde ao fogo, a fumaça que se espalha nos ares e, as nuvens derramam sobre a terra uma água escura, suja de fuligem; a Amazônia precisa de ajuda.

O mundo se mobiliza; acusações de toda parte; ninguém quer ser responsabilizado, ao que parece. Autoridades – nacionais e internacionais – cientistas da NASA, ambientalistas, artistas, indígenas, Ongs, jornalistas, o povo se manifesta nas ruas, e até dos prédios ouve-se o barulho de panelas que batem.

Nossa vida está em jogo, a vida do Planeta está ameaçada.

Diante de tudo o que se discute mundo a fora sobre o momento presente, uma palavra de orientação plausível pode ser encontrada; o Ensinamento Social da Igreja Católica pode oferecer uma visão abrangente das causas do problema ambiental, bem como apontar possíveis caminhos de solução.

O Papa Francisco, inspirado no Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis – Louvado sejas meu Senhor – escreveu (24 de maio de 2015) uma Encíclica Sobre o Cuidado da Casa Comum.  

Na carta, Papa Francisco na esteira de seus sucessores (os Papas São João XXIII,  São Paulo VI, São João Paulo e Bento XVI), ressalta, com grande esperança, o urgente desafio de proteger o planeta incluindo e, a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, posto que segundo o Santo Padre a humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. (Laudato Si, 13).

A visão sóbria, franca e abrangente de Papa Francisco sobre o Planeta como casa comum  deixa transparecer eixos que percorrem toda a sua análise, de modo a iluminar quem queira realmente e com sinceridade se debruçar sobre a questão ambiental e ecológica, a saber: a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta dum novo estilo de vida. (Laudato Si, 15)

O desafio há tempo foi posto! A questão passa pela capacidade que a humanidade tem de se encontrar, de dialogar, de buscar na amizade e na concórdia alternativas que nos “salvem”.

O problema interpela a todos, mormente os que têm poder político e econômico. É claro que o poder precisa de conversão a fim de que cumpra com o seu dever de proporcionar o bem comum, de maneira que não seria exagerado rezar com o cantador Nordestino o Salmo dos aflitos (Luís Gonzaga e Humberto Teixeira):

[…]

Crescido agora é que eu sei
Que há outros pra ouvir meu latim
Em nome dos céus, eu reclamo
As graças que devem pra mim

As graças que eu reclamo
Em nome dos irmãos aflitos
São já conhecidas de todos
E sem elas, o grande rebanho vai morrendo
Ou fingindo viver como Deus, é servido

Abrandai, o coração de todos poderosos,
Abrandai, abrandai} bis

 Pe. Elias Sales
Diocese de Guarabira

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