Que povo somos nós? Eu sou esse povo… esse país, sou eu!

Por Pe. Demétrio P. de Morais

Em 1987, a banda de rock, Legião Urbana, lançava um dos seus mais lendários álbuns: Que País é Esse? que chegou ao mesmo ano, a marca de 1,5 milhão de cópias, e a música, de mesmo nome, escrita e interpretada pelo compositor e cantor, Renato Russo, foi a música mais tocada nacionalmente. Passaram-se três décadas, e a canção “Que país é esse?” continua mais atual que nunca.

Os meios de comunicação, não muito diferentes de outrora, continuam noticiando escândalos de corrupção, e despejando em nossos lares, cotidianamente, resumos da violência que se tornou estrutural. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), pela primeira vez na história, o número de homicídios no Brasil superou os 60 mil em um ano.  O desemprego sempre crescente, na casa dos 13%, continua tirando de nossos jovens perspectivas de dias melhores.

As drogas ilícitas (o craque e a maconha) alastraram-se por todos os recantos deste país continente, destruindo vidas e desestruturando famílias, a tal ponto, de podermos afirmar, que não há uma única cidade, ou povoado, por pequenos que sejam, que não tenham uma “cracolândia”. Em alguns lugares, as drogas são vendidas, inclusive, na porta das Escolas. Inertes; na maioria dos casos, contemplamos nossos jovens sendo seduzidos pelas drogas, como se fosse algo normal. E, “os que acreditam” no futuro da nação, apontam como saída: a redução da maioridade penal… Que país é esse?

Estamos na eminência de irmos além da canção, perante a possibilidade da legalização do aborto, da parte “daqueles que acreditam” no futuro da nação… Que país é esse?

As comparações são infelizes; contudo, o nosso contexto é bem pior do que aquele da década de 80, que contava com grandes compositores, que, através de suas canções suscitavam reflexões profundas, sobre a conjuntura social, na qual viviam; em nossos dias, as boas composições não encontram espaço na grande mídia, e por isso, a sensação é de uma decadência cultural sem precedentes, as canções veiculadas nas mídias, não são feitas para ajudar a refletir, mas somente para conduzir os jovens, a um êxtase pelo ritmo e volume ensurdecedor.

Deveríamos, portanto, reescrever a lendária canção de Renato Russo: “O que fizemos com este país?”, ou, o que estamos fazendo com este país? Quando abrimos mão dos valores cristãos, e deixamos de valorizar a pessoa humana, e a supervalorizar o Mercado; quando vendemos nosso voto, pensando somente em nós mesmos, e esquecemos o bem comum; quando, muito pouco, fazemos pela defesa da vida, desde a sua concepção até a morte natural.
Que povo é esse que não defende o direito inalienável a vida? Que povo é esse onde a vida vale tão pouco?

Estima-se que, desde 2010, no Brasil, uma nova organização religiosa surge, por hora; por que será que, embora crescendo de forma vertiginosa o número de organizações religiosas, não cresce ao mesmo ritmo, o número de pessoas comprometidas com o bem comum?

O que fizemos, para o Evangelho de Jesus Cristo perder o seu poder atrativo e transformador?

Que povo somos nós? Eu sou esse povo… esse país, sou eu!

 

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