Por Padre Demétrio

Será que alguém, hoje em dia, ainda se deixa guiar pelo ideal de santidade? O chamado a santidade não é exclusividade dos bispos, sacerdotes e freiras; a todos sem distinção Deus chama a santidade. É um ideal, um objetivo – um estado de comunhão com Deus – que pode ser alcançado por todas as pessoas.

Na busca deste ideal nós não estamos jamais sozinhos, “os santos nos acompanham e encorajam” (Gaudete et Exultate n.3-5), não somente os que já estão junto de Deus, mas também, os santos que estão ao nosso redor. Pensemos em tantas pessoas boas e generosas que conhecemos. Pessoas simples que escolhem o perdão ao invés do ódio, que sabem escolher o caminho da fraternidade, solidariedade ao invés daquele do egoísmo. Pessoas que também erram, mas que são capazes de reconhecer a sua culpa: pedem perdão. Falar de santidade é falar de pessoas de carne e osso, isto porque a santidade pode ser alcançada e diz respeito a todos nós.

Os santos aprenderam dizer sim a verdade, sim a vida, sim ao amor, sim ao diálogo, sim a alegria, sim ao Evangelho. Com suas vidas gritaram não ao orgulho, não ao desejo de vingança, não ao apego aos bens materiais, não ao egoísmo. Eu disse: aprenderam. É assim, se deve aprender a amar, perdoar, dialogar, servir.

Então nós nos perguntamos: onde encontraram a força? Como conseguiram? Jesus é a força dos santos. Na Palavra de Deus e na pessoa de Jesus encontraram o apoio e o suporte necessário para seguirem no caminho de comunhão com Deus e com os seus semelhantes. Venceram a grande tribulação (Ap 4,14) da vida com o amor. São bem-aventurados, felizes (Mt 5,1-12), porque acolheram o amor de Deus em seus corações, amor que os santificou e os fez filhos no Filho por excelência, que é Cristo Jesus.

A santidade, portanto, não é um caminho extraordinário, mas um caminho comum, ordinário, estrada a ser percorrida por todos nós e, que se exprime pelo desejo sincero de ser a cada dia melhor. A propósito disto, lembro agora a frase que norteou, por assim dizer, a vida de São Felipe Neri (1515-1595): “Prefiro o Paraíso”, ou ainda: escolho o paraíso. Animados e encorajados pelo testemunho e exemplo de nossos irmãos e irmãs santos, escolhamos o paraíso, escolhamos a Deus.

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