O mês de Janeiro, início de um novo ano, é marcado por datas significativas na vida Eclesial e devocional do povo de Deus, com as festas dos Padroeiros. Estes Santos Patronos correspondem a grandes modelos de vida, devoção e coragem, e arrebatam multidões para vivenciarem uma experiência de fortalecimento da Fé e do amor ao Senhor e Pai das Misericórdias, que realizou grandes coisas na vida daqueles e daquelas abertos ao projeto amoroso do Reino.
Neste contexto, deparamo-nos com a figura singular do mártir São Sebastião, celebrado em 20 de Janeiro, invocado como protetor contra os maiores males que podem assolar a existência humana: a peste, a fome e a guerra.  Inúmeros são os relatos, passados e presentes, que testemunham a eficaz intercessão deste Santo protetor em defesa dos seus devotos, quando estes se viram afligidos por doenças e pestes, aparentemente, incuráveis.
Na Diocese de Guarabira, a devoção a este querido Mártir é uma presença constante na vida dos nossos irmãos e irmãs de fé, uma vez que muitas Paróquias possuem como padroeiro ou co-padroeiro. Mas, não só os grandes centros de manifestação da fé têm São Sebastião por modelo e protetor, também as pequenas comunidades, forças vivas do evangelho, reconhecem no Soldado convertido um modelo cristão.
Entretanto, por mais belas que sejam as expressões da fé popular, se faz necessário passar de um devocionismo para uma espiritualidade, capaz de ajudar-nos a compreender melhor e mais profundamente o testemunho apaixonante do Mártir venerável. Assim, gostaria de destacar dois pontos que podem nos ajudar a contemplar com mais fidelidade o testemunho de São Sebastião, são eles a Coragem e a Fé.       Sabemos, através das fontes históricas,  que a comunidade cristã primitiva sofria perseguição por parte dos Imperadores Romanos, por não se prostrarem diante das figuras faustosas daqueles governantes, que eram tidos, em muitos casos, como deuses. A recusa de não compactuarem com este tipo de idolatria fazia com que os cristãos experimentassem mortes muito dolorosas e desumanas, serem devorados por feras, por exemplo. Por isso, as celebrações e encontros das primeiras comunidades eram feitas em catacumbas e lugares escondidos.
É indubitável que o exemplo daqueles homens e mulheres que se entregaram completamente ao projeto do Reino, contagiou o jovem soldado Sebastião e logo o fez unir-se à comunidade de fé e de vida. Aqui, contemplamos o destemor, a coragem, de assumir e viver o que Jesus pediu e ensinou no seu Santo Evangelho, quando afirma: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas, não podem matar a Alma”(Mt 10,28). Sebastião assume, portanto, com vigor e serenidade, o compromisso de agir com coragem frente aos desafios do seu tempo. Assim, também nós, Cristãos, devemos assumir com firmeza aquelas opções implicantes da nossa fé: a defesa da vida, da instituição familiar e a causa dos pobres e marginalizados desta sociedade injusta.                 Sebastião convoca-nos a “reavivar o dom de Deus que há em nós” (2 Tim 1,6), isto é, a testemunharmos Cristo com a coragem da Fé. Sem esse dom precioso, Sebastião jamais teria tido a perseverança para suportar os horrores da morte e a perseguição com fidelidade, tal qual fez. Desta maneira, pela Fé, somos convidados, ao exemplo do nosso querido Santo, a conceder sentido à nossa vida da maneira de Jesus, como genialmente o tão estimado Pe. Zezinho canta e nos ajuda a rezar: “amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou” e, acima de tudo, “viver como Jesus viveu”. A fé pode nos ajudar e muito nesta travessia das sombras de nosso tempo.
Portanto, no nosso tempo, os Cristãos, em especial os devotos deste santo milagroso, devem assumir um novo tipo de prática devocional: a imitação. Assim como São Sebastião que foi exemplo desta virtude tão importante, a coragem da fé, sejamos nós homens e mulheres destemidos e fervorosos no nosso testemunho anunciador da presença libertadora de Cristo. Que este período tão singular, no qual celebramos as maravilhas realizadas por Deus, na pessoa do querido e venerável santo, ajude-nos a sermos autênticos cristãos, comprometidos com a causa do reino de Cristo, que se realiza no aqui e agora da história humana.

São Sebastião, rogai por nós!

Pedro Henrique Macêdo Félix- Seminarista do 3° ano de Filosofia.

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