Por Padre Robinho

Vem e segue-me (Lc 5,11). Esse é o forte e suave convite que Jesus fez aos seus discípulos e a tantas pessoas ao longo da história. E continua fazendo até hoje a cada um de nós.
Ele fez a mim. Eu era muito jovem. Reagi igual ao moço da parábola de Mateus 19,16s. Tinha muitos sonhos a realizar. Enquanto eu buscava segurança e comodidade, Ele simplesmente disse: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Lc 9,58). Não prometeu garantia material nem um lugar para morar, mas sim o seu estilo de vida marcado pela simplicidade da providência que vem de Deus.

Sem digerir bem as suas palavras, respondi imediatamente: eu te seguirei Senhor, mas deixe que eu enterre primeiro meus pais. Não sei o porquê da resposta. Talvez estivesse querendo ganhar tempo para amadurecer o chamado ou até mesmo encontrar uma razão que justificasse o meu desconcerto frente a sua proposta. Segui-lo seria viver uma grande aventura, no entanto, a serenidade do seu olhar me fitava e a riqueza do seu chamado me envolvia. O seu silêncio falava a minha alma que era preciso deixar que os mortos se encarregassem de enterrar os seus mortos. Eu deveria me lançar nessa aventura com os vivos, saborear a emoção de viver a plenitude da vida ao seu lado.

Não resisti, sua palavra me seduziu. Descobri então que viver uma aventura com Cristo é deixar florir o humano sadio que mora em nós. É sugar a essência da vida.  É se perder do mundo. É não embarcar na euforia das futilidades, dos vícios e das paixões abrasivas; é viver sem peso, sem culpa, uma vez que seu fardo é leve e seu jugo é fácil de carregar (cf. Mt 11,30).

Deixei tudo e o segui. Aprendi no seguimento que aquele que faz uma experiência com Cristo não se arrepende jamais. O espírito do aventureiro Jesus e seu jeito simples de conversar, de explicar os fatos do cotidiano e de iluminar as coisas futuras enche o coração de quem o segue de confiança e plena alegria.

Como diz o Cardeal Van Thuan em seu livro: Testemunhas da Esperança “Já faz dois mil anos – e vai continuar até o fim dos tempos – que as pessoas continuam seguindo os passos de Jesus. Basta lembrar os santos de todas as épocas. Muitos deles fazem parte daquela abençoada associação de aventureiros. Sem endereço, sem telefone, sem fax…!”.

Se aventurar na companhia de Jesus é se lançar na mais afetuosa certeza de conquistar o Céu. E lá vou eu nessa aventura! Venha você também.

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