Três anos de missão (2017/2020). Fomos enviados de uma diocese histórica e vocacionalmente missionária (Guarabira/PB) para terras de missão (Grajaú/MA). Primeiro ano, a escuta e a contemplação, um olhar sobre a realidade; o segundo ano, o diálogo e a interação com esta realidade e o terceiro, a pandemia da COVID-19.  A experiência do missionário é a de ir, de seguir a voz do Espírito. Assim, fomos nós, chamados e enviados: Pe. Jandeilson Alencar, Pe. Leir Oliveira e Pe. Jonathan Magaywer. A experiência não é nossa, mas é de Deus.

Ao longo destes três anos, estamos vivendo um verdadeiro aprendizado: novas realidades (as distâncias, o clima, as culturas, a forma de viver a experiência da Igreja, da religião e do sagrado); sentir-se acolhido, entendido, compreendido; a paciência para perceber os modelos implantados (a desobriga, a cultura da floresta, a terra sem lei, os descasos com as populações – sobretudo os indígenas e os mais vulneráveis) e a sede de novas perspectivas: uma Igreja em marcha, dando novos passos, trabalhando processos para sair do isolamento, de organização eclesial e pastoral, de resgate de vidas e esperanças em meio aos desafios impostos.

Terras missionárias são terras de provocação: seguir as pegadas já deixadas pelo Espírito e reacender as luzes da chama que ainda fumega. Da parte do povo há um desejo de partilhar a vida (rodas de conversa), mas também uma vontade de aprender, de dar novos passos, de se deixar conduzir pela alegria do Evangelho, de celebrar a vida, de partilhar (vidas, histórias, costumes/crenças e sonhos), de ver todos envolvidos e participando.

Da nossa parte, os missionários, há o anseio de colaborar com os processos de animação da fé (liturgia, catequese, pastoral, formação bíblica, encontros), dos sonhos e esperanças (famílias, juventude, casais, idosos, povoados, aldeias), do testemunho (presença, visitas, escuta, laços de amizade, conversão pessoal) e de solidariedade (caridade, compaixão e partilha). Em meio à pandemia, vivemos um tempo mais delicado e difícil, estar junto ao povo na hora da dor e do sofrimento, abraçando seus medos e angústias, tristezas e incertezas, mas tudo em oração e celebração.

De fato, podemos proclamar que a missão nos fez um grande bem. Abriu-nos as portas do coração (mudança, crescimento, gratidão, maturidade) e da ação (agir segundo o Espírito). Fez-nos perceber novos horizontes, perspectivas, possibilidades; conhecer as realidades mais simples e complexas de como a vida se dá a partir do testemunho das pessoas mais humildes e sofredoras, mas cheias de Deus. Temos consciência de que viemos de uma diocese com identidade missionária (Pe. Ibiapina, Frei Damião, os padres vindos da Europa, as Santas Missões Populares, o COMIDI e os COMIPAs) e de que fomos ordenados para a Igreja que exalta: “leva-me aonde os homens necessitam de tua Palavra”. Agora, aos 40 anos de diocese, renovamos por mais um tempo o nosso ardor e viver missionário. Estamos felizes. Estamos contentes. Estamos nas mãos de Deus, cuidando do Povo de Deus.

A missão nos encheu da verdadeira alegria e nos fez conhecer as surpresas de Deus em nós. Creio que somos continuadores das sementes plantadas pelo Pe. Ibiapina, Frei Damião, os padres missionários na diocese na década de 70/80, dos COMIDIs e COMIPAs.

 

Por: Pe. Jandeilson Alencar, missionário na Diocese de Grajaú – MA