As pessoas, no mundo inteiro, estavam habituadas a um ritmo de vida, no qual, ninguém se dava conta de nada, nem de ninguém. Essa é uma das realidades dos tempos de pós modernidade.

De uma hora para outra, sem planejamento algum, o mundo parou, com uma situação surpreendente, que atingiu e desinstalou a humanidade inteira. O dia e a hora das surpresas,sejam quais forem, nós não sabemos, já nos advertia Jesus.

De fato, neste momento, todos os povos, sem distinção de classe, estão passando pela mesma situação, sendo todos obrigados a viverem recolhidos, no chamado isolamento social, ou quarentena, como se tem denominado.

Os países de primeiro mundo, que se sentiam seguros de si, numa vida econômica, confortável, agora passam pela mesma fragilidade. Uma fragilidade que é própria do ser humano como um todo, independente de sua condição social.

Dizem que o mundo não será mais o mesmo. Não se sabe em que consistirá essa mudança. Na verdade, deveria estar no âmbito das relações de partilha e de fraternidade, para a superação das diferenças e dos preconceitos que tantos males nos trazem.

Nós, humanos, nestes tempos de pandemia, devemos fazer uma profunda reflexão sobre o sentido da vida, nos perguntando qual é a nossa missão neste mundo e como estamos aproveitando das oportunidades que o Senhor nos oferece, num tempo muito passageiro.

Certamente, estamos percebendo que é possível viver sem correr tanto. O que acontece hoje parecia impossível. As famílias talvez vivessem no mesmo tempo sem comunhão e sem convivência alguma por conta do trabalho. Hoje, estamos a escolher entre o trabalho e a defesa da vida e dos membros da família.  Estamos condicionados a escolher onde está o nosso bem maior.

Deus talvez tivesse sido esquecido por muitos, descuidados da sua presença. Agora até os edifícios próximos já conseguem se aproximar e rezar juntos, cada família no seu apartamento. Isso era impossível sem esse momento de recolhimento.

Diante de todas as situações, precisamos tirar lições de vida para nós. Sermos eternos aprendizes para um maior crescimento humano e espiritual, compreendendo que não somos donos de nada neste mundo, nem da própria vida. Ela pertence ao Criador. A vida é um sopro divino.

Aprender a compreender a relatividade de todas as coisas e do absoluto divino que é Deus. Não nos apossarmos do que não é nosso, mas de todos, porque pertence a Deus.

Muitas famílias estão perdendo o que de mais precioso existe depois de Deus, que são seus entes queridos, um sofrimento jamais esperado nesses tempos de tantos avanços em todos os campos da vida humana.

De fato, precisamos viver de forma diferente, o mundo precisa ser diferente. O difícil é o aprendizado na consciência individual e coletiva para novas relações de vida humana e também com a natureza.

Guarabira, 06 de abril de 2020.

Pe.  João Bosco Francisco do Nascimento
Coordenador Diocesano de Pastoral

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