“A Igreja é por sua natureza missionária” (AG 2): a Igreja “é” ao ser enviada, edificando-se em ordem da missão. Portanto, não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. Os Atos dos Apóstolos mostram, com clareza, que a Igreja se constitui na medida em que, aos poucos, assume a missão Ad gentes. A missão gera a Igreja. Por isso, a Igreja “nasceu em saída” (cf. EG 17a; 20; 24; 46) no momento em que, orientada pelo Espírito, entra em contato com os outros, reencontrando a si mesma todas as vezes que sai de si e abre-se. Desse modo, a comunidade cristã tem sua própria origem no anúncio do evangelho e a própria vitalidade na contínua e corajosa transmissão deste anúncio pelo mundo afora.

O envio missionário é expressão de uma surpreendente e alegre disposição, abertura e liberdade para além de todas as barreiras. Em outras palavras, precisamos ser evangelizados de novo para tornar-nos cheios de ímpeto e audácia evangelizadora (cf. DAp 549): a Igreja vive esta missão recomeçando cada vez com evangelizar a si mesma. O Decreto Ad gentes reafirma a divisão entre duas tarefas que não devem ser identificadas: a missão ad gentes de povos que não foram alcançados pela missão cristã, e aos quais são enviados missionários e missionárias, e a pastoral paroquial entre batizados. Por outro lado, todos os cristãos são missionários e o lugar da missão, desde as comunidades paroquiais, é sem fronteiras.

Olhando para o mundo de hoje e considerando as sobreposições de conceitos noS documentos conciliares, optamos, à luz do magistério da Igreja, pela distinção de três âmbitos essenciais de missão: a) a pastoral, que tem como interlocutores os cristãos militantes e as comunidades eclesiais constituídas; b) a nova evangelização, que tem como interlocutores os cristãos que estão afastados da vida da comunidade, como também os que não creem em Cristo no conjunto da sociedade secularizada onde cada Igreja local está inserida: c) a missão ad gentes, que tem como interlocutores àqueles que não conhecem Jesus Cristo no meio de outros povos e sociedades, onde a presença da Igreja não está suficientemente estruturada (cf. RMi 33; EG 14). Sobre esse último âmbito é dever lembrar que: “sem a missão ad gentes, a própria cooperação missionária da Igreja ficaria privada de seu significado fundamental e de seu exemplo de atuação”, e por isso “é preciso evitar que (…) se torne uma realidade diluída na missão global de todo povo de Deus, ficando, desse modo, descurada ou esquecida” (RMi 34).

A Igreja em estado permanente de missão é a cooperação missionária. Essa tarefa diz respeito à missão ad gentes, a todos os povos. Trata-se da participação de cada Igreja local na missão universal, e da fundamental solidariedade de cada comunidade com os outros povos e com as outras igrejas espalhadas pelo mundo afora.

No exercício da missão ad gentes, nossa Igreja particular de Guarabira tem a alegria de enviar presbíteros em Missão. Temos o projeto Igreja-Irmãs em Grajaú, na Amazônia legal. Hoje, são três sacerdotes que se dispuseram ser esta igreja em saída: Padre Jandeilson, Padre Magaywer e Padre Leir. No final deste ano, estaremos enviando mais um presbítero para cooperar na missão em Grajaú, o Padre Rinaldo. Eles foram enviados em nome da nossa Igreja. É a Igreja quem envia seus missionários e missionárias! A vida é missão. Eu sou uma missão de Deus nesta terra e, para isso, estou neste mundo. A vida se torna uma missão! Somos Missão, nos diz o Papa Francisco! A nossa Igreja de Guarabira está atenta ao sonho do Papa Francisco para Amazônia e, por isso, queremos dar continuidade a este projeto de Igreja-Irmãs, enviando sacerdotes missionários que possam ser missão nas terras amazônicas! Somos Missão! A vida é missão: dom e compromisso. “ Eis-me aqui… envia-me!” (Is 6,8).

Por: Dom Aldemiro Sena, bispo diocesano e referencial para a Missão no regional NE 2.