Hoje, domingo, 15 de novembro, celebramos a liturgia do 33º Domingo Comum, escolhido pelo Papa Francisco para celebrar o Dia Mundial do Pobre. Esse ano estamos já na sua quarta edição, cada uma delas trouxe um tema pertinente.
No calendário geral, existem inúmeras datas com suas respectivas comemorações, por isso, o Papa Francisco inseriu, na igreja, uma data para lembrarmos dos pobres.
Podemos olhar a questão da pobreza a partir de dois ângulos. Primeiro, a pobreza evangélica com seu aspecto positivo, relacionada ao desapego, ao desprendimento, à partilha fraterna. O pobre, na Bíblia, é aquele ser humano que põe toda a sua confiança em Deus e não na riqueza, compreendida como algo material capaz de escravizar a pessoa. O que Deus espera de nós é que nada, neste mundo, afaste-nos d’Ele, porque Ele deve ser o centro de nossa vida. Segundo, a pobreza material, enquanto fruto da ganância e da exploração, não é da vontade Deus por ser uma consequência do pecado.Já em relação aos pobres explorados, Deus tem uma predileção especial por eles em toda a história da salvação. Um exemplo típico está no livro do Êxodo quando Deus vem ao encontro do seu povo para libertá-lo da escravidão no Egito. Deus é o aliado do pobre, do órfão e da viúva, por causa da situação desumana em que vivem. Uma ofensa aos pobres é uma ofensa direta a Deus. Como o ser humano é Imago Dei, uma ofensa ao ser humano é a agressão ao próprio Deus.
Celebrar o dia do pobre é chamar a atenção para uma realidade que não deveria existir. A pobreza não é culpa do pobre, de forma generalizada, mas culpa de todos, culpa da sociedade em que vivemos. A pobreza é uma consequência diabólica da desigualdade social e não como se dizia: “a preguiça é a chave da pobreza”.

O Papa Francisco apresenta, entre tantas falas suas, esse tema do pobre, inclusive nos
textos deste dia nos últimos quatro anos.

No dia 19 de novembro de 2017, o tema celebrado foi: “Amamos não só com palavras,
mas com obras” (1Jo 3,18).
No dia 18 de novembro de 2018, o tema foi: “Este pobre clama e o Senhor o escuta” (Sl
34,7).
No dia 17 de novembro de 2019, foi celebrado com o tema: “A esperança dos pobres
jamais se frustrará” (Sl 9,19).
Agora, em 2020, no dia 15 de novembro, o tema: “estende tua mão ao pobre” (Eclo 7,32).
Nesse ano, no Dia Mundial do pobre, acontecem as eleições municipais. Hoje poderia
ter uma feliz coincidência se todos os candidatos e candidatas neste dia, no Brasil,
estivessem se apresentado para servir a todos e todas, com atenção especial aos mais
pobres. Porém, como todos sabem, a realidade é totalmente outra.

 

Por: Pe. Bosco, coordenador diocesano de Pastoral