Papa GuadalupeCidade do Vaticano (RV) – “A misericórdia é o amor que abraça a miséria da pessoa humana”. Foi o que disse o Papa durante a celebração de Nossa Senhora de Guadalupe, no início da noite de sábado (12/12). A Basílica Vaticana assistiu a uma celebração em espanhol, com leituras em português, quéchua, inglês e francês, evocando os idiomas das Américas, na Festa da Padroeira do Continente. O Papa confirmou na celebração sua viagem ao México em fevereiro de 2016.

Em sua homilia, Francisco citou as palavras do profeta Sofonias dirigidas a Israel, que podem ser referidas também à Virgem Maria, à Igreja e a toda a pessoa amada por Deus com amor misericordioso. Deus, – disse o Papa – nos ama muito, com amor gratuito, sem limites, sem esperar nada em troca. Este “amor misericordioso” é o atributo mais surpreendente de Deus, a síntese que condensa a mensagem evangélica, a fé da Igreja! E o Pontífice explicou:

Miséria e coração

“A palavra ‘misericórdia’ é composta de duas palavras: miséria e coração. O coração indica a capacidade de amar; a misericórdia é o amor que abraça a miséria da pessoa humana. Trata-se de um amor que sente a nossa indigência como própria, para libertar-nos dela. Nisto consiste o amor: não somos nós que amamos a Deus, mas é Ele que nos amou, a ponto de oferecer seu Filho como vítima de expiação dos nossos pecados”.

Com efeito, continuou o Papa, Cristo quis compartilhar das nossas fragilidades; quis experimentar a nossa condição humana, até carregar a Cruz, repleta de dor da existência humana. A misericórdia de Deus nos é dada pelo dom do Espírito Santo. A maior misericórdia de Deus consiste em estar no meio de nós. E o Papa exortou: “Cultivemos esta experiência de misericórdia, de paz e esperança durante o caminho de Advento, que estamos percorrendo, e à luz do ano Jubilar. Anunciar a Boa Nova aos pobres, como João Batista, realizando as obras de misericórdia, é uma boa maneira de esperar a vinda de Jesus no Natal”.

Deus se rejubila em Maria

Deus se rejubila e se compraz, de modo especial, em Maria. Em uma das orações mais queridas pelo povo cristão, a “Salve Rainha”, chamamos Maria como “Mãe de misericórdia”. De fato, ela experimentou a misericórdia divina e acolheu em seu seio a fonte desta misericórdia: Jesus Cristo! Ela, que sempre viveu intimamente com seu Filho, sabe o que ele mais quer: que todos os homens se salvem e que ninguém fique sem a ternura e a consolação de Deus. E o Santo Padre exortou:

“Recomendemos a Maria Santíssima os sofrimentos e as alegrias dos povos do Continente americano, que a amam como mãe e a reconhecem como sua padroeira sob o título de Nossa Senhora de Guadalupe. Que a sua doçura materna nos acompanhe no Ano Santo, para que possamos descobrir a alegria da ternura de Deus!”

Peçamos a ela, insistiu ainda o Papa, que este ano Jubilar cultive o amor misericordioso no coração as pessoas, das famílias e das nações; que possamos ser misericordiosos; que as comunidades cristãs sejam oásis e fontes de misericórdia, testemunhas de uma caridade que não admite exclusões. E o Papa afirmou:

“Para pedir-lhe isto de uma maneira forte, viajarei para venerá-la em seu Santuário no próximo 13 de fevereiro. Assim, pedirei tudo isto para toda a América da qual ela é especialmente mãe”.

Que ela guie os passos do seu povo americano – concluiu o Papa – um povo peregrino que vai à busca da Mãe de Misericórdia para pedir que nos mostre seu Filho Jesus!

Rádio Vaticano

 

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