Papa Francisco assinou a Encíclica Somos Todos Irmãos no túmulo de São Francisco.

O Papa Francisco presenteou-nos, na véspera do dia de São Francisco de Assis, com uma nova encíclica sobre a fraternidade e a amizade social, com o título SOMOS TODOS IRMÃOS.

O que leva o Papa Francisco a escrever sobre esse tema? Qual é a realidade de mundo em que estamos vivendo que suscita no coração do Papa uma reflexão desse porte? Não poderia ter discutido outro tema? O Papa tem presenciado, com toda certeza, grandes desafios em diversas realidades do planeta, nas quais a fraternidade passou a ser um problema sério, diante do individualismo e do egoísmo tão presentes nos corações dos seres humanos.

O texto está distribuído em oito capítulos. Chamo apenas a atenção para algumas palavras-chave da encíclica.

O primeiro capítulo traz o tema As sobras dum mundo fechado. Os desafios desse mundo fechado são:  sonhos desfeitos em pedaços; fim da consciência histórica; falta de um projeto para todos; descarte mundial; direitos humanos não suficientemente universais; conflito e medo; globalização; pandemias; escassez de dignidade nas fronteiras; ilusão da comunicação; agressividade; informação sem sabedoria. Mas há também a esperança além das sombras.  Assim, o Papa descreve acerca do que consistem as sombras em um mundo que não está aberto para a fraternidade.

O segundo capítulo fala de Um estranho no caminho referindo-se à belíssima parábola do samaritano, trazendo para a reflexão o tema do abandono de tantas pessoas caídas à beira do caminho. Desse modo, lembra que a parábola é uma história que se repete hoje. O tema da encíclica, aqui, manifesta-se numa relação de caridade com um estrangeiro.

O terceiro capítulo fala sobre Pensar e gerar um mundo aberto, trazendo uma palavra sobre o mais além; o valor único do amor; a progressiva abertura do amor; a construção de sociedades abertas para integrar a todos; a promoção do bem moral; o valor da solidariedade. Além disso, propõe a função social da propriedade, retomando, assim, a doutrina social da Igreja, abordando o tema dos direitos.

O quarto capítulo traz o título Um coração aberto para o mundo inteiro, entendido como meta para a superação do individualismo e das barreiras entre povos e nações com tantas segregações e divisões, lembrando o tema dos migrantes, em especial. Intercâmbio, gratuidade e compreensão da relação entre o local e o universal,  tendo presente o horizonte da universalidade, são palavras-chave deste capítulo.

O quinto capítulo discute sobre A política melhor, abordando temas como populismo e liberalismo; a distinção entre o popular e o populista, os valores e os limites das visões liberais; o poder internacional; uma caridade social e política;  a política necessária que não pode se submeter à economia; o amor político e eficaz. Assim, este capítulo dedica tempo a temas ligados ao amor.

O sexto capítulo  traz o tema Diálogo e amizade social, expondo uma bela definição sobre o diálogo:  dialogar é aproximar-se, expressar-se, ouvir, olhar, conhecer-se, esforçar-se por entender e procurar pontos de contato. Traz também: o diálogo social para uma nova cultura; construir juntos; o consenso e a verdade; o prazer de reconhecer o outro; recuperar a amabilidade.

O sétimo capitulo fala de Percursos dum novo encontro, recomeçando a partir da verdade; na arquitetura do artesanato e da paz; levando em conta os últimos. Destaca o valor e o significado do perdão com diversos enfoques; a guerra e pena de morte; a injustiça da guerra.

O oitavo capítulo aborda o tema As religiões a serviço da fraternidade no mundo. São preocupações: o fundamento último e a identidade cristã. Por fim, apresenta um apelo e as orações na conclusão do capítulo.

Certamente, mais uma encíclica que trará muitas luzes para a vida da igreja e para tantos homens e mulheres que, fora dela, admiram as orientações do Papa Francisco como um dos maiores líderes do momento presente.

O desafio, proveniente de tempos tão difíceis como o nosso,  é que, de fato, sejamos irmãos não só de palavras, mas na verdade, na particularidade, como também, na universalidade.

Pe. Bosco, Coordenador diocesano de Pastoral