Hoje a igreja celebra a Vigília Pascal, a mais importante, a mãe de todas, como nos disse Santo Agostinho. É a uma noite muito bonita, mas nem sempre bem seguida pelo nosso povo que termina ainda a sua semana santa na sexta feira com a procissão do Senhor Morto. É a identificação do nosso povo com o sofrimento seu e do próprio Jesus.

Esta noite santa é rica de muitos simbolismos. Inicia-se a celebração com a bênção do fogo, o círio e as velas. Num ambiente escuro a luz aparece, ilumina e aquece aos presentes. É a luz, símbolo do próprio Cristo glorificado. Ele é a luz do mundo como havia anunciado. Na procissão do círio, quando possível, seguimos a luz, com nossas velas. Quem me segue, disse ele, não andará nas trevas. Devemos seguir com essa consciência. Cada pessoa batizada deve ser extensão da luz do próprio Cristo.

O próprio círio é muito significativo: a chama, os cravos, o ano celebrado. Cristo ontem, hoje e sempre. Não se trata de uma simples vela. É por isso que após a festa de Pentecostes o círio está presente nas celebrações do batismo e da crisma.

A liturgia da palavra é especial por contemplar a presença de Deus ao longo da história desde a sua origem, a criação. Deus não desiste daquele que é a sua imagem, por isso, em seu filho realiza uma nova criação, pela ressurreição de Jesus.

Os sacrifícios oferecidos no templo faziam parte do ritual para que as pessoas pudessem se entender com Deus, mas isso se tornava o templo uma casa de comércio. Por isso, Jesus passa a ser o sacrifício definitivo oferecido ao Pai. Ele agora é sacerdote, altar e cordeiro. Deus não aceita que Abraão sacrifique Isaac preparando o sacrifício do seu filho para a redenção do mundo.

Na passagem do mar acontece a saída da escravidão do Egito, na busca da terra prometida. O povo de Deus passou 40 anos no deserto até chegar a uma nova terra, mas voltou a ter os mesmos costumes. A terra prometida por Deus não é na terra, mas no céu. A verdadeira passagem acontece com Jesus, Ele é o primeiro dentre os mortos para que nele todos nós também passemos para terra prometida. Ele nos assegurou que na casa do Pai há muitas moradas.

Antes da celebração da eucaristia desta noite, ainda abençoamos a água, renovamos as promessas do nosso batismo e nos aspergimos. É o desejo e o compromisso que não podemos esquecer, da vida nova que recebemos no dia em que nós batizamos, morremos com Cristo e com ele retomamos a vida, chamados a viver a graça duma vida reconciliada.

O evangelho desta noite já apresenta o Senhor que vence a morte.  No terceiro dia, como Ele havia anunciado, aconteceu a sua gloriosa ressurreição. Os que estavam felizes com sua derrota, agora não conseguirão detê-lo. O Senhor se manifestará se tornará presente, livre de todas as amarras.

Agora a nossa missão é anunciar essa vitória, não só com as palavras, mas com o nosso testemunho de amor, bondade, solidariedade. A vida venceu a morte. A morte para sempre não terá a última palavra. Deus é o Deus para vida, pelos séculos sem fim.

Uma santa páscoa para todos nós.

Pe.  João Bosco Francisco do Nascimento
Coordenador Diocesano de Pastoral

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